Salmonella enterica sorovar Dublin é uma preocupação para a pecuária, sobretudo pelas
elevadas taxas de morbidade e mortalidade em rebanhos bovinos. No Brasil, há poucos
trabalhos que exploram a epidemiologia desse sorotipo, incluindo a caracterização de surtos, os
perfis de susceptibilidade antimicrobiana e a similaridade genética dos isolados. O presente
estudo teve como objetivo descrever as características clínicas e epidemiológicas de surtos
confirmados de S. Dublin em múltiplos rebanhos bovinos brasileiros, buscando avaliar os perfis
de resistência antimicrobiana, identificar os genes determinantes de resistência e analisar a
similaridade genética entre os isolados. Entre 2018 e 2025, surtos de S. Dublin foram atendidos
em 19 propriedades, das quais 17 eram estabelecimentos de leite e envolviam bezerros. Em
63,2% dos surtos (12/19) os animais afetados tinham entre 90 e 180 dias de idade.
Notavelmente, 68,4% (13/19 = 68,4%) das propriedades relataram surtos de S. Dublin
coincidindo com um aumento nos casos de tristeza parasitária bovina (babesiose e/ou
anaplasmose). Grande parte dos isolados (35/44 = 79,5%) apresentou resistência a pelo menos
um antimicrobiano, sendo que 20,5% (9/44 = 20,5%) foram classificados como
multirresistentes. Entre os determinantes de resistência identificados, destacou-se uma mutação
pontual no gene gyrA, presente em mais de um quarto dos isolados sequenciados. As análises
de SNP e cgMLST mostraram alta similaridade genética entre isolados de surtos relacionados,
ressaltando o risco de introdução de S. Dublin por meio da aquisição de animais. Elevada
similaridade também foi observada entre os isolados deste estudo e estirpes previamente
associadas a infecções humanas no Brasil, evidenciando o potencial zoonótico de S. Dublin.
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