A brucelose é uma zoonose amplamente distribuída, associada a falhas reprodutivas
em animais e a doenças crônicas em humanos. A interação entre Brucella spp. e o sistema
imunológico inato do hospedeiro na interface materno-fetal é um fator importante para o
desfecho gestacional. Todavia, a contribuição das caspases nesse contexto permanece pouco
definida. Esta tese investigou o papel da sinalização de caspase-1/11 na patogênese da
infecção por Brucella ovis e foi organizada em três capítulos integrativos. O Capítulo I
apresenta uma revisão geral da literatura, estabelecendo os conceitos fundamentais da
biologia placentária, ativação do inflamasoma e o entendimento atual sobre o envolvimento
do inflamasoma nas infecções por Brucella. O Capítulo II consiste em um artigo de revisão de
literatura, destinado a elucidar a patogênese e a patologia fetal associadas às principais
infecções reprodutivas zoonóticas, incluindo Listeria monocytogenes e Toxoplasma gondii,
além de Brucella. O Capítulo III apresenta o estudo experimental principal dessa tese,
utilizando modelos murinos in vivo e infecções in vitro de trofoblastos. No estudo
experimental, camundongos deficientes em caspase-1/11 (Casp1/11−/−) apresentaram maior
suscetibilidade à infecção sistêmica, evidenciada por cargas bacterianas significativamente
mais altas no baço e no fígado em comparação com camundongos controles do tipo selvagem.
No modelo materno-fetal, fetos provenientes de fêmeas Casp1/11−/− apresentaram cargas
bacterianas significativamente mais altas, refletindo maior suscetibilidade fetal à infecção.
Experimentos utilizando estratégias de cruzamento demonstraram ainda que a suscetibilidade
é influenciada pelo genótipo fetal, uma vez que os fetos Casp1/11−/− consistentemente
apresentaram cargas bacterianas mais altas do que seus irmãos heterozigotos ou de tipo
selvagem. Coletivamente, estes dados refinam nosso entendimento sobre a patogênese da
brucelose reprodutiva.
Palavras-chave: caspase, camundongos, feto, zoonoses, Brucella.