Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

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Tese e Dissertação

OCORRÊNCIA DE TRANSMISSÃO VERTICAL DE HEMOPATÓGENOS EM CADELAS PRENHES E NATURALMENTE INFECTADAS NA CIDADE DE BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL

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  • Resumo do trabalho
    • Resumo do trabalho
      • A proximidade entre cães (Canis familiaris) e humanos, associada a fatores como alta densidade

        populacional, vida livre e mobilidade, favorece o papel dos cães como reservatórios e

        disseminadores de agentes patogênicos. Entre esses agentes, destacam-se os hemopatógenos

        transmitidos por vetores, amplamente distribuídos, especialmente em regiões tropicais, e de

        grande relevância no contexto da Saúde Única, por causarem importantes enfermidades em cães

        no Brasil. Apesar de a transmissão vetorial ser bem estabelecida, a transmissão vertical desses

        agentes permanece pouco investigada. Este estudo teve como objetivo investigar a ocorrência

        de transmissão vertical de Ehrlichia canis, Anaplasma platys, Anaplasma phagocytophilum,

        Babesia vogeli, Hepatozoon sp., Leishmania sp. e Mycoplasmas hemotrópicos em cadelas

        prenhes naturalmente infectadas. No Capítulo 1, descreve-se o primeiro relato de transmissão

        transplacentária de E. canis em cães, com análises moleculares realizadas em 51 amostras de

        sangue total de cadelas no pré-parto, 51 placentas correspondentes, 22 pools de baço e fígado

        de natimortos e 40 amostras de sangue total de neonatos com até cinco dias de vida. Os achados

        sustentam a transmissão vertical, por métodos moleculares, em dois (9.09%) pools de órgãos e

        em um (2.5%) neonato. No Capítulo 2, foram investigados, através de metodologias

        moleculares seguidas de análises filogenéticas, a ocorrência dos demais hemopatógenos e

        possíveis coinfecções nas mesmas amostras examinadas no Capítulo 1. Os resultados revelaram

        transmissão vertical de A. platys em 7% dos pools de órgãos e de hemoplasmas em 31,81% do

        mesmo material, além do primeiro registro de transmissão transplacentária de B. vogeli,

        detectada em 13,63% dos natimortos e 25% dos neonatos. Não foi detectada infecção por

        A. phagocytophilum, Leishmania sp. e Hepatozoon sp. em nenhum dos materiais testados. Por

        fim, o Capítulo 3 analisa os achados hematológicos das cadelas gestantes infectadas, incluindo

        monocitose, trombocitose e anemia, com ênfase nas alterações associadas à presença de

        hemopatógenos e discutindo o possível impacto fisiopatológico dessas infecções durante a

        gestação. A confirmação dessa via de transmissão tem implicações epidemiológicas relevantes,

        pois pode permitir a manutenção dos agentes infecciosos nas populações caninas mesmo na

        ausência do vetor, comprometendo a eficácia de estratégias de controle baseadas

        exclusivamente no combate aos artrópodes, como o uso de ectoparasiticidas. Associado a isso,

        a compreensão da patogênese dessas infecções durante a gestação fornece informações que

        podem contribuir para o manejo clínico e terapêutico, auxilia na implementação de medidas

        preventivas e no diagnóstico precoce no período periparto, além de ampliar a compreensão da

        interação parasito-hospedeiro.

        Palavras-chave: Hemoparasitos; patógenos transmitidos por vetores, transmissão

        transplacentária, diagnóstico molecular.

Defesa

Banca

Orientador

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