O Brasil é um país de extensa área territorial sendo composto por diferentes biomas, o que permite diversidade de habitats e de espécies de aves silvestres. A atividade humana em agricultura, produção animal, urbanização, mineração, resulta em impacto negativo à homeostasia ambiental, com circulação interespecífica de etiologias que podem ser zoonóticas, com potencial risco à saúde única, além de gerar perdas de exemplares silvestres. Dentre as enfermidades de relevância, é importante ressaltar as que envolvem o Sistema Nervoso Central (SNC), uma vez que são, geralmente, causas de morte em animais jovens, impactando a conservação da fauna. Métodos de diagnóstico são essenciais para determinar as etiologias destas doenças, permitindo a elaboração de estratégias de prevenção e controle. O objetivo geral deste estudo foi analisar a casuística da rotina do Laboratório de Doenças das Aves da Escola de Veterinária – UFMG, de aves silvestres necropsiadas entre 2018 e 2022 oriundas da grande Belo Horizonte, além da investigação de etiologias virais de importância para o SNC em amostras coletadas em criatório conservacionista localizado em Ribeirão das Neves-MG. Foram selecionados 61 casos de aves, de diferentes ordens e famílias, com histórico de sinais clínicos neurológicos e/ou alterações neurológicas observadas à necropsia. Além disso, amostras de sangue total, suabe cloacal e traqueal de 18 aves de aspecto clínico normal, cativas em criatório conservacionista em Ribeirão das Neves, foram colhidas no ano de 2022. Os materiais biológicos e/ou fragmentos do SNC de cada animal foram analisados para as etiologias de encefalites equinas West Nile virus (WNV), encefalites equinas venezuelana (VEEV), leste (EEEV), oeste (WEEV), Influenza A, Bornavírus aviário (ABV), doença de Newcastle (NDV), doença de Pacheco (PDV), doença de Marek (MDV), Adenovírus aviário. Dentre os 61 animais, foi detectado influenza A, em técnica de RT-qPCR e RT-PCR, Bornavírus aviário, pan-herpesvírus além do vírus da doença de Marek e também para o vírus da doença de Pacheco (PsHV-1). Já entre os 18 animais observou-se positividade para o vírus da influenza A em suabe traqueal e para ABV em suabe cloacal. Por fim, foi analisado um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) com sinais clínicos compatíveis com hidrocefalia, com as avaliações anatomopatológica e histopatológica indicativas de processo inflamatório e análises em técnicas moleculares de diagnóstico negativos para etiologias virais.
Palavras-chave: sanidade aviária; espécies aviárias selvagens; Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais ; doenças neurológicas aviárias; biologia molecular aviária; zoonoses aviárias; patógenos aviários.
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