A produção in vitro de embriões (PIVE) associada ao uso de sêmen sexado tem sido
amplamente utilizada para direcionamento do sexo da progênie, porém sua aplicação ainda
está associada à redução na eficiência do desenvolvimento embrionário. Nesse contexto,
compreender como o tipo de sêmen influencia o desenvolvimento embrionário e o
metabolismo celular nas fases iniciais ainda representa uma lacuna relevante. Assim, o
objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do uso de sêmen convencional (C), sexado para
fêmea (SF) e para macho (SM) sobre a distribuição das estruturas embrionárias às 120 horas
pós-inseminação (h.p.i.), a atividade mitocondrial, o estresse oxidativo e o desenvolvimento
embrionário até 168 h.p.i. em embriões bovinos produzidos in vitro. Às 120 h.p.i., o tipo de
sêmen influenciou a distribuição das estruturas embrionárias (p < 0,05), sendo observada
menor proporção de estruturas sem divisão celular no grupo C (17,09%) em comparação aos
grupos sexados (SF: 44,97% e SM: 47,60%) e maior proporção no estágio >16 células (C:
42,79%) (p < 0,001), enquanto não houve diferença para o estágio de 2–4 células entre os
tipos de sêmen (p ≥ 0,72). A atividade mitocondrial foi maior no grupo C (31,04 ± 2,36) em
comparação aos grupos sexados SF e SM (p < 0,05), sem diferenças nos níveis de estresse
oxidativo (p = 1,00). Às 168 h.p.i., estruturas produzidas com sêmen C apresentaram maior
proporção de blastocistos expandidos (10,91%) em comparação aos grupos sexados (SF:
2,72% e SM: 0,59%) (p < 0,05), além de maiores taxas de blastocisto em relação ao total de
oócitos (C: 25,96% versus SF: 5,69% e SM: 2,86%) (p < 0,05). Conclui-se que o uso de
sêmen sexado compromete o desenvolvimento embrionário inicial e reduz a eficiência de
formação de blastocistos, estando associado a alterações metabólicas detectáveis ainda nas
fases iniciais do desenvolvimento embrionário in vitro.
Palavras-chave: progressão celular; metabolismo embrionário; estresse oxidativo; estágios
embrionários; PIVE.