O desenvolvimento fetal está fortemente ligado à adequada nutrição materna antes e
durante o período gestacional. Quantidades inadequadas de nutrientes consumidas
cronicamente pela mãe podem comprometer a sua saúde, como também a dos seus
descendentes. Embora exista evidência de transtornos nos sistemas digestório e urinário
provocados pelo consumo de dietas hiperproteicas, a literatura carece de investigação
aprofundada sobre os efeitos deste tipo de dieta sobre a capacidade reprodutiva em
fêmeas. Assim, o objetivo deste estudo foi determinar os efeitos do consumo materno
crônico de dieta hiperproteica antes e durante a gestação, sobre a foliculogênese e suas
consequências sobre o desenvolvimento placentário e fetal, assim como em parâmetros
metabólicos. Para tanto, foram realizados dois experimentos. No Experimento1, foram
utilizados camundongos heterogênicos Swiss fêmeas alocados a dois grupos
experimentais: 1) Controle- o qual recebeu dieta normoproteica (NP), contendo 14% de
proteína; 2) Tratado- que recebeu dieta hiperproteica (HP), contendo 55% de proteína,
sendo as fêmeas de ambos os grupos eutanasiadas após três semanas de consumo da dieta
experimental para coleta e posteriores análises morfológicas e moleculares do sistema
genital e tecido adiposo. No Experimento 2, foram utilizados camundongos fêmeas
heterogênicos CD1 alocados aos mesmos grupos experimentais: 1) Controle- que recebeu
dieta normoproteica (NP), antes da gestação e 20% ao longo da gestação; e 2) Tratado- o
qual recebeu dieta hiperproteica (HP- 55% de proteína), antes e durante a gestação. As
fêmeas foram eutanasiadas no terço final de gestação (DG17.5) para avaliações
biométricas placentárias e fetais, bem como morfológicas e moleculares placentárias. O
consumo da dieta hiperproteica promoveu alterações na saúde reprodutivas e metabólicas
nas fêmeas nulíparas quanto nas gestantes. As nulíparas do grupo HP apresentaram
irregularidade do ciclo estral, com prolongamento da fase folicular. Adicionalmente, de
maneira fase estral-dependente, a morfologia ovariana e a expressão de genes associados
à foliculogênese e vias pró-apoptóticas foram moduladas pela dieta. Tais alterações
estavam associadas ao menor consumo de ração e estado de resistência à insulina. Por sua
vez, as gestantes do grupo HP apresentaram maior tamanho e peso dos fetos independente
do gênero, assim como maior proporção e área de vasos sanguíneos fetais na região do
labirintotrofoblasto placentário, independente da posição da placenta no útero. Assim, os
obtidos revelaram que o consumo materno prolongado de dieta hiperproteica influencia
o ciclo reprodutivo e compromete a saúde metabólica. Assim sendo, o consumo
prolongado de altos níveis de proteína deve ser feito com cautela e políticas de saúde
pública deveriam ser revisitadas e reformuladas para alertar sobre os efeitos deletérios
desse hábito alimentar.
Palavras-chave: Dieta hiperproteica, foliculogênese, desenvolvimento fetal, placenta