Historicamente, a educação em saúde tem sido incorporada na formação de crianças visando não apenas informar, mas também transformar comportamentos em relação ao autocuidado com a saúde, a prevenção das zoonoses, a preservação do meio ambiente e o cuidado com os animais. Nesse sentido, se inserem as zoonoses, doenças transmitidas entre humanos e animais e responsáveis por causar danos à nível global. Os projetos de educação em saúde que informam sobre tais doenças, especialmente nas formas de prevenção e controle, têm ganhado destaque nas políticas públicas. No entanto, há uma lacuna científica sobre como trabalhar educação em saúde utilizando ensino alternativas, se existe diferença na eficiência dos estratégias utilizados, a preferência dos estudantes e dos educadores e o custo das estratégias. Por isso, foram desenvolvidas quatro estratégias de ensino: discussão em grupo, teatro, jogo de tabuleiro e lousa. Essas estratégias foram utilizadas nas aulas sobre as quatro zoonoses de maior prevalência no município de Contagem, Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , Brasil, sendo elas esporotricose, febre maculosa, leishmaniose e raiva. As estratégias foram aplicadas e testadas em quatro escolas públicas, com dois anos escolares do ensino fundamental, com faixa etária entre oito e 12 anos. Para obtenção dos resultados quanto à eficiência das estratégias, foram utilizados questionários semi-estruturados com perguntas sobre as zoonoses estudadas e foi avaliado o número de acertos dos estudantes antes e após as intervenções com as estratégias. Ainda, foram feitas sessões de grupo focal como estratégia de pesquisa qualitativa a fim de avaliar a experiência dos estudantes com o projeto. Participaram do estudo 166 estudantes e oito docentes das escolas. A diferença entre o número de acertos acumulados antes e depois das intervenções não estão associados com a estratégia utilizada (Valor p=1). Além disso, não há diferença no desempenho escolar dos estudantes quando se compara o efeito das estratégias (p=0,999). A taxa de acerto sobre zoonoses aumentou de 15,7% no primeiro encontro para 56,6% no último encontro (p<0,05). Já o conhecimento sobre Uma Só Saúde aumentou de 38,2% no primeiro encontro para 55,7% no último encontro (p<0,05). Ainda, foram feitas mudanças no ambiente de casa dos estudantes para prevenir, principalmente, a ocorrência do flebótomo causador da leishmaniose e a saída de gatos desacompanhados, sendo essas estratégias eficientes para prevenir as zoonoses trabalhadas. Segundo a percepção dos estudantes avaliada no grupo focal, “jogo de tabuleiro” foi a estratégia mais atrativa, seguida de “discussão em grupo”, “teatro” e “lousa”. Já segundo a percepção dos professores, “discussão em grupo” é a melhor estratégia para promover o interesse e aprendizado dos estudantes e a que apresenta melhor custo-benefício, sendo, por isso, de maior facilidade para implementação na rotina escolar. I Os resultados reforçam a necessidade de incluir tais abordagens nas políticas públicas, evidenciando que, independentemente do estratégia de ensino aplicado, a educação em saúde mostrou-se eficiente na ampliação do conhecimento das crianças sobre zoonoses e na promoção de mudanças em seus lares, contribuindo para o fortalecimento do conceito de Uma Só Saúde.
Palavras-chave: educação em saúde; estratégia de ensino alternativo; gamificação; ensino básico; Uma Só Saúde; zoonoses.
Comissão Examinadora:
Titulares:
Dr.(a). Camila Stefanie Fonseca de Oliveira (Orientador(a))
Dr.(a). Danielle Ferreira de Magalhães Soares
Dr.(a). Aleluia Heringer Lisboa Teixeira
Suplentes:
Dr.(a). Rafael Romero Nicolino
Dr.(a). Fernanda do Carmo Magalhães
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