Este estudo teve como principal objetivo realizar uma análise individual e comparativa das alterações microscópicas dentárias em gatos acometidos por três grupos de doença: Complexo gengivoestomatite-faringite felino (CGEFF), Doença periodontal (DP) e Lesão de reabsorção odontoclástica felina (LROF). Os dentes foram extraídos como parte do tratamento, fixados em formol a 10%, descalcificados e processados pela técnica de inclusão em parafina. Secções histológicas de 3m coradas pela hematoxilina-eosina foram analisadas. Além da avaliação da frequência, no que concerne ao perfil dos animais com relação à raça, sexo e idade, foi também realizada a análise histopatológica de 868 dentes de diferentes tipos, com ou sem alterações macroscópicas, extraídos de 158 gatos, sendo 60 gatos (602 dentes) do grupo CGEFF, 51 gatos (167 dentes) do grupo DP e 47 gatos (99 dentes) do grupo LROF. Os resultados a seguir são apresentados em % de animais acometidos – % de dentes afetados, para cada alteração microscópica. Com relação ao CGEFF, as alterações dentinárias mais frequentes foram a ectasia tubular (93,3%-61,0%) e a necrose (88,3% – 50,2%). A necrose da cavidade pulpar foi observada em 36,7% dos animais e 28,2% dos dentes. No cemento, a hipercementose (100% – 73,1%), a hipertrofia cementoblástica (100% – 68,8%) e focos de necrose (96,7% – 74,4%) foram mais frequentes. Com relação à DP, placas e/ou tártaro foram identificados em 100% dos animais e 91,1% dos dentes. Cavidades de reabsorção dentinárias associadas ao tártaro (89,8% – 64,3%) e ectasia tubular (93,9% – 88,7%) também foram observadas. Na cavidade pulpar, as alterações mais frequentes foram necrose (40,8% – 23,8%) e fibrose (20,4% – 6,5%). A hipercementose (89,8% – 82,7%), a hipertrofia e/ou hiperplasia cementoblástica (89,8% – 75,6%) e focos de necrose (85,7% – 76,2%) foram as alterações mais frequentes no cemento. Com relação à LROF, as principais alterações dentinárias foram a ectasia tubular (84,1% – 71,7%) e a osteodentina (72,7% – 56,6%). No cemento, foram observados focos de necrose (65,9% – 47,5%), hipercementose (59,1% – 44,4%) e osteocemento (59,1% – 48,5%). Focos de reabsorção odontoclástica foram detectados em 54,5% dos animais e em 36,4% dos dentes. Em conclusão, dentes de gatos com o CGEFF, DP e LROF, com ou sem lesões macroscópicas, apresentam alterações microscópicas que podem contribuir com a dor e o desconforto do paciente. Independentemente do tipo de doença, alterações na dentina e no cemento foram mais frequentes em comparação às da cavidade pulpar e a ectasia tubular dentinária, a hipercementose e a necrose de cemento apresentaram frequência elevada. No entanto, a necrose dentinária foi a alteração mais evidenciada em dentes de gatos com CGEFF, enquanto a osteodentina e o osteocemento foram mais observados em dentes de gatos com LROF.
Palavras-chave: Cavidade oral; Doença oral crônica; Patologia oral; Microscopia dentária; Odontopatologia; Periodontite; Gengivoestomatite crônica felina.
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