3.2 Impacto econômico, social e cultural do programa.
O Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCA) da Escola de Veterinária da UFMG (EV/UFMG) apresenta um histórico consolidado de impactos significativos nas esferas econômica, social e cultural, promovendo interação efetiva entre a sociedade e a medicina veterinária no Brasil. No quadriênio de 2021 a 2024, todos os docentes do PPGCA se envolveram ativamente em atividades que geraram impactos econômicos, sociais e culturais, mantendo essa abordagem como um dos pilares estratégicos do programa. Essa interação sinérgica entre pesquisa e extensão resultou em produções científicas e tecnologias que atendem às necessidades contemporâneas da sociedade. A seguir, destacamos algumas ações significativas do PPGCA, enfatizando seus efeitos diretos e indiretos para a sociedade, bem como suas contribuições para a inovação e o fomento das atividades do programa
3.2.1 – IMPACTO DE PROJETOS DE PESQUISA/INOVAÇÃO E EXTENSÃO
No período, foram registradas 243 ações de extensão no Sistema de Informação da Extensão da UFMG (SIEX-UFMG – https://sistemas.ufmg.br/siex/PesquisarAcaoExtensao.do ), envolvendo docentes e alunos do PPGCA, além do início de centenas de projetos de pesquisa realizados no quadriênio, com destaque para aqueles voltados à pesquisa aplicada, que gera impactos diretos na sociedade. Essas atividades proporcionaram aos pós-graduandos a inserção na comunidade, permitindo o contato direto com um público diversificado, tanto geral quanto técnico, com diferentes demandas. Os projetos abrangeram vários segmentos da sociedade, alcançando desde a comunidade da grande Belo Horizonte até produtores rurais em áreas remotas de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais e de outros estados. A seguir, apresentamos uma breve descrição de alguns desses projetos.
a. Criação, estabelecimento e manutenção do primeiro Centro de Transplante de Microbiota Fecal do Brasil.
Parceria estabelecida entre os professores Rodrigo O. S. Silva e Francisco C. F. Lobato, DP do PPGCA, com os pesquisadores Eduardo G. Vilela e Luiz G. V. Coelho, da Faculdade de Medicina da UFMG (FM/UFMG) que permitiu a criação do primeiro Centro de Transplante de Microbiota Fecal (CTMF) do Brasil, que atende pacientes humanos, de todo o país de forma inteiramente gratuita, acometidos de infecção por Clostridioides difficile não responsiva ao tratamento convencional. As atividades iniciaram em 2017 e foram amplamente divulgadas pela mídia (https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2018/12/26/doadores-fidelizados-cedem-amostra-de-fezes-para-transplante-em-doentes-com-diarreia-em-mg.ghtml). O atendimento inicial ocorre no Hospital das Clínicas da UFMG e é coordenado pela equipe da FM/UFMG. A EV/UFMG fica responsável por parte da avaliação dos doadores e dos potenciais receptores do transplante, em ambos os casos, realizando a pesquisa de patógenos intestinais diversos. Essas atividades são coordenadas pelo Prof. Rodrigo O. S. Silva e realizadas pelos pós-graduandos do PPGCA inseridos no Laboratório de Anaeróbios do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva (DMVP). Desde o estabelecimento do CTMF, foram realizados diversos procedimentos com taxa de sucesso superior a 90%. Além do benefício direto à comunidade em geral, o trabalho do CTMF tem gerado produtos de pesquisa importantes para ciência, como artigos científicos (10.1007/s42770-023-01227-4, 10.26355/mhd_202212_806, 10.1590/S0004-2803.202000000-79) e um capítulo de livro (TERRA, D.A.A. et al. Implantação e resultados de um centro universitário de transplante fecal. In: Joel Faintuch. (Org.). Microbioma, Disbiose, Probióticos e Bacterioterapia. 2ed. Barueri: Manole, 2025, p. 375-387). O trabalho também recebeu diversos prêmios em eventos científicos, como o Prêmio João Galizzi (Gastrominas, 2024). Até o momento, o Prof. Rodrigo O. S. Silva finalizou a coorientação de três mestrandos e atualmente coorienta outros três discentes (dois mestrados e um doutorado) no Programa de Saúde do Adulto da FM-UFMG. Ainda, tais resultados foram parte da tese de doutorado da discente Amanda Nádia Diniz, orientada pelo Prof. Rodrigo, e defendida em 2023.
b. Elaboração do Guia de uso racional de antimicrobianos: avicultura de postura
O “Guia de Uso Racional de Antimicrobianos na Avicultura de Postura”(https://vet.ufmg.br/material-didatico/guia-de-uso-racional-de-antimicrobianos-avicultura-de-postura/) é um desdobramento do projeto “Trabalhando Juntos Para Combater a Resistência aos Antimicrobianos”, financiado pela União Europeia e liderado pela OPAS, com a participação da FAO e OMSA. A participação do Brasil nesse projeto visa implementar o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (ARM), coordenado pelo Ministério da Saúde e pelo MAPA (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-pecuarios/resistencia-aos-antimicrobianos/guias-de-uso-racional-de-antimicrobianos-em-animais). O guia foi desenvolvido para ampliar as ações do PAN-BR AGRO, focando na educação e na conscientização sobre o uso indiscriminado de antimicrobianos e a consequente resistência microbiana, além de promover boas práticas e capacitação técnica. A atuação do docente Oliveiro C. Freitas Neto e de seus orientados, em especial a Pós-Graduanda Victória Veiga Alves, foi fundamental na elaboração e disseminação do guia, que foi apresentado a associações de produtores, conselhos de medicina veterinária e em eventos técnicos em diversas regiões do Brasil.
c. Apoio ao desenvolvimento sustentável da piscicultura ornamental do polo de produção da Zona da Mata Mineira
A Zona da Mata Mineira é a região de maior produção nacional de peixes ornamentais, para venda no mercado brasileiro e de exportação. Contudo, a capacitação técnica para esta produção ainda é precária. O projeto intitulado “Apoio ao desenvolvimento sustentável da piscicultura ornamental do polo de produção da Zona da Mata Mineira”, liderado pelo docente Guilherme C. Tavares e financiado pela FAPEMIG, tem gerado impactos significativos na região. Com a realização de sete visitas técnicas a nove produtores e um distribuidor em Vieiras entre 2023 e 2024, o projeto não apenas avaliou as condições sanitárias das produções de peixes ornamentais, mas também promoveu a capacitação dos discentes de pós-graduação, que assumiram a execução das atividades práticas relativas ao projeto. Essa abordagem colaborativa permite que os alunos desenvolvam habilidades essenciais enquanto oferecem um serviço especializado, identificando e abordando os principais problemas sanitários enfrentados pelos produtores locais. Os impactos sociais se manifestam na melhoria das práticas de manejo e na promoção da saúde dos peixes, resultando em uma produção mais sustentável e responsável. Economicamente, ao fortalecer a piscicultura ornamental, o projeto contribuiu para a geração de renda e a competitividade dos produtores da região. Culturalmente, a elaboração do volume “Aquacultura Ornamental” nos Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia (https://vet.ufmg.br/caderno-tecnico/cadernos-tecnicos-de-veterinaria-e-zootecnia-n-105-aquacultura-ornamental/), que possui entre os autores o docente Guilherme C. Tavares e pós-graduandos do PPGCA como Lorena Diniz Macedo Silva e Victória Pontes Rocha, juntamente com a distribuição de cartilhas e folders informativos, reforçou o conhecimento técnico e a valorização das práticas tradicionais de piscicultura, promovendo a troca de saberes entre acadêmicos e produtores. Além disso, a geração de três trabalhos de conclusão de curso e a submissão de artigos científicos demonstraram o compromisso com a pesquisa e a disseminação de conhecimento. O fechamento do projeto em 2025, com a apresentação dos resultados aos produtores, promete consolidar esses avanços e garantir a continuidade das boas práticas na piscicultura ornamental da região.
d. Saúde Única em territórios tradicionais
O projeto “Saúde Única em Territórios Tradicionais” (https://www.revistaclinicaveterinaria.com.br/opiniao/mvcoletivo/medicina-veterinaria-do-coletivo-em-territorios-tradicionais-e-originarios/), focado na “Promoção de Saúde Única em São João das Missões e na Reserva Indígena Xakriabá”, é coordenado pelos pesquisadores Camila S. F. Oliveira, Danielle F. M. Soares, Marcelo P. N. Carvalho e Lucas O. Belchior. Esse trabalho já produziu uma tese, uma dissertação e vários projetos de iniciação científica. Ele integra saúde humana, animal, vegetal e ambiental para melhorar o bem-estar das comunidades tradicionais. Foram realizadas ações de promoção de saúde animal, diagnóstico socioambiental, monitoramento de agravos zoonóticos, vigilância da fauna silvestre e educação em saúde, focando na ecologia dos saberes. Desde seu início, estudantes de pós-graduação do PPGCA e de graduação em medicina veterinária atenderam 375 animais domésticos de 14 aldeias Xakriabás e 119 de São João das Missões, beneficiando mais de 300 pessoas com práticas de educação em saúde. Mais de 20 animais silvestres foram capturados e soltos após coleta de amostras, e mais de 200 foram identificados durante o monitoramento ambiental, destacando a importância dos povos originários na conservação. O projeto apoia a qualidade de vida local e serve como modelo para políticas públicas de saúde única em territórios tradicionais.
e. Avaliação de estratégias para promoção de educação transformadora em Uma Só Saúde para crianças do Ensino Básico
O projeto intitulado “Avaliação de estratégias para promoção de educação transformadora em Uma Só Saúde para crianças do Ensino Básico”( https://vet.ufmg.br/tese-e-dissertacao/avaliacao-de-estrategias-para-promocao-de-educacao-transformadora-em-saude-unica-para-criancas-do-ensino-basico/ ) faz parte de um mestrado acadêmico desenvolvido no Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e está vinculado ao Projeto de Extensão Semeando Saúde Única. A coordenação do projeto é feita pela docente Camila Stefanie Fonseca de Oliveira. O objetivo do projeto é elaborar, aplicar e testar diferentes estratégias de ensino sobre zoonoses para crianças do Ensino Fundamental, especificamente 3° e 7° anos escolares. Além disso, os outros objetivos incluem avaliar a preferência dos estudantes e dos professores das escolas quanto às estratégias de ensino utilizadas; avaliar o custo para a produção dos materiais; verificar o papel multiplicador dos estudantes quanto à Uma Só Saúde; verificar e descrever o papel da educação na saúde humana, animal e do meio ambiente. Participaram do projeto 166 estudantes do município de Contagem, Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , e foram produzidas cinco estratégias de ensino lúdicas e que promovem a autonomia do aprendizado. Os resultados, ainda em publicação, demonstraram que, independentemente do método utilizado, a educação em saúde foi eficiente em aumentar o conhecimento dos estudantes sobre zoonoses e Uma Só Saúde. Ainda, foram feitas mudanças no ambiente em que as crianças vivem a fim de prevenir a ocorrência de doenças e promover um ambiente mais saudável para os animais e as pessoas.
f. Avaliação da identidade e qualidade dos queijos artesanais de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais
Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais se destaca na produção de leite e queijos, especialmente os artesanais, que são parte da herança cultural e da economia local. Aproximadamente 30.000 famílias, muitas com pequenas propriedades, dependem dessa atividade. O grupo de pesquisa do professor Marcelo R. Souza (DTIPOA) estuda desde 2008 as características dos queijos artesanais de diversas regiões, incluindo Araxá, Canastra e Serra do Salitre. As pesquisas analisam a qualidade físico-química e microbiológica do leite e dos queijos, a influência da maturação, a sucessão microbiana e as propriedades probióticas das bactérias ácido-láticas. Os resultados ajudaram as autoridades sanitárias a definir os períodos de maturação e a elaborar padrões de qualidade de vários tipos de queijos, como os do queijo Cabacinha, Campo das Vertentes e outros. Os produtores recebem orientações sobre a melhoria da qualidade da água e do leite, além de boas práticas de fabricação. Essas iniciativas têm promovido o reconhecimento oficial dos queijos e sua inocuidade, gerando retorno econômico para os produtores, que obtiveram registros e adequações legais. Essas pesquisas foram realizadas com parcerias envolvendo Ima, Emater, Epamig, Seapa e Associação de Produtores e geraram dissertações de mestrado, teses de doutorado, trabalhos de iniciação científica, artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, palestras em eventos regionais e nacionais, uma cartilha (Queijo Maturado é Legal – https://vet.ufmg.br/noticia/professor-e-doutorando-da-escola-participam-da-elaboracao-de-cartilha-sobre-queijos-artesanais-mineiros/) e um Caderno Técnico (https://vet.ufmg.br/wp-content/uploads/2023/03/cteletronico-95.pdf ).
g. Capacitação de Profissionais Municipais para Atenção à Situação de Acumulação de Animais
O projeto coordenado pelas professoras Camila S. F. Oliveira e Danielle F. M. Soares visa capacitar servidores públicos para lidar com a situação de acumulação de animais (https://ufmg.br/comunicacao/noticias/escola-de-veterinaria-prepara-agentes-publicos-para-lidar-com-acumuladores-de-animais). Realizado desde setembro de 2023, o projeto abordou temas como esporotricose zoonótica, leishmaniose visceral e manejo ético de animais. Participaram, até o momento, 332 profissionais de 50 municípios brasileiros, a maioria das regiões Sudeste e Nordeste do país. A capacitação buscou identificar dificuldades enfrentadas pelas equipes multiprofissionais e oferecer orientações para o acolhimento de pacientes humanos e animais. Em 2023, foi publicado o Guia Prático “Animais em situação de acumulação: estratégias de saúde única para atenção aos casos”, produzido por autores de diferentes seguimentos da sociedade para orientar promotores e gestores municipais a implantarem a Política Pública em seus municípios (disponível em https://defesadafauna.blog.br/wp-content/uploads/2023/08/Guia-Animais-em-situacao-de-acumulacao__digital.pdf ).
h. Fatores de risco para o insucesso do tratamento da esporotricose em gatos domésticos
O projeto destaca-se pela sua relevância social, uma vez que a esporotricose é uma zoonose com impacto na saúde pública. Atualmente, as capacitações de profissionais para as boas práticas na atenção à esporotricose felina acontecem de maneira remota (https://www.youtube.com/watch?v=w-Gpr_GOZ1c ) ou presencial e o atendimento dos animais no projeto é realizado no Complexo Público Veterinário de Belo Horizonte, onde oferece atendimento, disponibilização do medicamento de primeira eleição e alimento úmido gratuito (https://prefeitura.pbh.gov.br/noticias/complexo-publico-veterinario-inicia-atendimento-esporotricose-em-caes-e-gatos ). Desde o início, em 2023, já foram atendidos mais de 800 gatos com esporotricose. A proposta de um estudo longitudinal para analisar os fatores de risco envolvidos na resposta inadequada ao tratamento da doença alinha-se ao conceito de Saúde Única, que enfatiza a interconexão entre saúde humana, animal e ambiental. A compreensão dos fatores que contribuem para o insucesso do tratamento não apenas aprimora as estratégias de manejo veterinário, mas também fortalece a vigilância epidemiológica. Além disso, o projeto mantém um compromisso com a educação em saúde, fornecendo orientação para os tutores e promovendo a limpeza do ambiente. Dessa forma, contribui para a melhoria da saúde pública, a proteção dos animais e a educação da comunidade, ressaltando a importância de ações integradas e sustentadas para enfrentar desafios de saúde complexos.
i. O Laboratório de Análise da Qualidade do Leite (LabUFMG)
O LabUFMG (https://vet.ufmg.br/laboratorio/laboratorio-de-analise-da-qualidade-do-leite-labufmg/ ), coordenado pelo Prof. Leorges M. Fonseca, acreditado pela ABNT NBR/ISO/IEC 17025:2017 e credenciado pelo MAPA, é o único laboratório em MG da Rede Brasileira de Qualidade do Leite. Esse laboratório, que foi inaugurado em 2003, processou cerca de 5 milhões de amostras de leite nos últimos 15 anos, com 9.922.000 ensaios biológicos e 26.018.845 químicos, totalizando quase 36 milhões de ensaios. Atende principalmente MG, mas também outros estados como Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Além dos ensaios, realiza treinamentos em unidades produtoras e de processamento, contribuindo para a qualidade do leite e inserção acadêmica em pesquisa. Atualmente, atende cerca de 280 unidades processadoras e 14.000 unidades produtoras. O financiamento é obtido através de serviços prestados, com preços baixos, já que o LabUFMG é sem fins lucrativos. A proposta é de auto-sustentabilidade financeira, com parte do custeio pela Universidade. Dos recursos obtidos, 10% é reinvestido na unidade e 2% na universidade.
j. Ações em resposta ao desastre ambiental na mina do Córrego do Feijão, município de Brumadinho
Entre 2021 e 2024, quatro projetos foram desenvolvidos em colaboração com a VALE S/A, abordando emergências e saúde animal em resposta à ruptura da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão em Brumadinho. O Projeto 716, coordenado pela Profa. Zélia I. P. Lobato, destinou R$ 190.926,31 para atendimento emergencial ao município. O Projeto 724, sob a coordenação da Profa. Marília M. Melo, alocou R$ 556.054,28 para acompanhamento toxicológico de cães afetados. O Projeto 1141, também coordenado pela Profa. Zélia, ampliou o complexo de laboratório do Hospital Veterinário da UFMG, com um investimento de R$ 774.939,96. Entre 30/04/2019 e 31/12/2024, o Hospital Veterinário atendeu a VALE S/A, totalizando R$ 6.927.992,00 em despesas e 3.410 atendimentos de animais registrados, resultando em R$ 2.031.146,05 em custos. As iniciativas contemplam desde assistência imediata a animais e à população até suporte contínuo na reabilitação e monitoramento da saúde animal na região. Um destaque foi a criação do “Manual de Preparação, Resposta e Recuperação a Emergências em Barragens de Mineração Envolvendo Animais”. Este material, voltado para médicos-veterinários, biólogos e zootecnistas, surgiu do Termo de Cooperação da VALE (23072.234556/2022-73), que resultou em uma contrapartida de R$ 3.473.648,00 para a criação de um centro de atendimento veterinário para animais silvestres e para o centro de atendimento de emergências do Hospital Veterinário. Embora focado em barragens de mineração, o Manual é aplicável a outras emergências, como inundações e incêndios. Produzido por professores e alunos de pós-graduação, do PPGCA, o Manual está em fase final de editoração e será publicado e divulgado no primeiro semestre de 2025
k. Fortalecimento da defesa sanitária animal, em parceria com o MAPA e com agências estaduais de defesa sanitária
Sob coordenação do Prof. Rafael R. Nicolino e com participação de dois doutorandos e dois mestrandos, no ano de 2023 foi criado o seguinte termo de parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), “Análise do sistema de vigilância em saúde animal e estudo para o reconhecimento e manutenção de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais como zona livre de febre aftosa sem vacinação”, com o objetivo de auxiliar o IMA nas análises de dados visando o reconhecimento do Estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação (https://www.mg.gov.br/agricultura/noticias/mapa-reconhece-minas-gerais-como-livre-de-febre-aftosa-sem-vacinacao). Outro projeto a se destacar sob coordenação do docente é a criação de um painel interativo denominado Censo da Suinocultura de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , em parceria com a Associação de Suinocultores de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , que tem como objetivo elaborar e publicar anualmente o Censo da suinocultura de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais com o intuito de fornecer dados atualizados sobre o setor para a cadeia produtiva da suinocultura mineira. Realizar uma análise descritiva e espacial dos sistemas de produção de suínos no estado de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , e caracterizar as principais regiões produtoras e identificar suas particularidades (https://www.asemg.com.br/censo/). Também sob coordenação do Prof. Rafael, uma cooperação internacional entre a EV/UFMG, EMBRAPA Suínos e Aves e a Iowa State University vem ocorrendo desde junho de 2024, com o objetivo de desenvolver um painel das principais doenças de suínos no Brasil. O projeto tem fundamentação no Sistema denominado Swine Disease Reporting System (https://fieldepi.org/sdrs/).
l. Desenvolvimento e análise da aplicação de tecnologias para reprodução de grandes animais
Sob orientação da docente Letícia Zoccolaro Oliveira, os pós graduandos Juliana Wilke Horta Diniz, Ana Carolina Bahia Teixeira, José Andrés Nivia Riveros e Viviane Luzia da Silva Feuchard realizaram projetos de pesquisa voltados para a melhoria da fertilidade e eficiência reprodutiva de animais de produção, com foco em vacas e éguas, visando impactos econômicos positivos e avanços na biotecnologia aplicada à pecuária.
m. Um Olhar Integral para a Conservação das aves e Saúde Pública
Os projetos sob coordenação do docente Nelson Rodrigo da Silva, que envolvem a participação ativa de residentes, visam abordar doenças com relevância à conservação da fauna, além de questões que impactam diretamente as aves sob cuidados humanos e zoonoses que são cruciais para a saúde pública.
Entre as principais zoonoses destacadas, estão Chlamydia psittaci e Salmonella spp., agentes patogênicos que não apenas afetam a saúde das aves, mas também podem ter consequências sérias para os seres humanos. A detecção e o manejo adequado dessas doenças são essenciais para prevenir surtos e garantir a segurança alimentar e a saúde pública.
Na vertente de pesquisa, o projeto tem se dedicado ao diagnóstico e caracterização das etiologias que afetam aves, com a colaboração de pós-graduandos. As patologias investigadas incluem vírus como Avipoxvirus, Bornavirus aviário, Circovirus parrot, e Herpesvirus da doença de Marek, além de bactérias como Klebsiella variicola. Essas etiologias são de fundamental importância não apenas para a conservação das espécies, mas também para o manejo de aves que vivem sob a tutela humana.
Esse trabalho conjunto de extensão e pesquisa reforça a necessidade de um olhar integrado sobre a saúde das aves, evidenciando a importância da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para enfrentar os desafios impostos pelas doenças avícolas. O envolvimento de residentes e pós-graduandos não só enriquece a formação acadêmica, mas também contribui para a construção de um futuro mais saudável e sustentável para a avifauna e para a sociedade como um todo.
n. Avanços em conhecimentos sobre envenenamentos e seus tratamentos
Projetos coordenados pela profa. Marília M. Melo e com a participação dos pós graduandos Marthin Raboch Lempek, Lilian de Paula Reis, Gabriela Rodrigues e Maria Elvira de Almeida, investigaram aspectos cruciais da toxicologia e do tratamento de envenenamentos, com relevância social e econômica significativa. Um deles avaliou o potencial cardiotóxico do veneno da cobra Micrurus frontalis, contribuindo para um melhor entendimento do quadro clínico em humanos e animais, o que poderia auxiliar na formulação de estratégias de manejo e tratamento de acidentes ofídicos. Outro projeto analisou, sob os mesmos pontos de vista, a cobra Micrurus surinamensis da floresta amazônica. Além desses, um estudo utilizou o secretoma de células-tronco mesenquimatosas no tratamento de feridas causadas pelo veneno da aranha marrom (Loxosceles) (https://doi.org/10.1590/1678-9199-JVATITD-2024-0004), demonstrando impactos positivos na neutralização da dermonecrose e oferecendo uma nova abordagem terapêutica para lesões venenosas. Esses estudos não apenas aprofundaram a compreensão científica sobre envenenamentos, mas também tiveram o potencial de melhorar a saúde pública e reduzir custos associados a tratamentos de emergência.
o. Medicina Laboratorial nos Zoológicos de Belo Horizonte e Bauru
Coordenados pelo Prof. Renato L. Santos, dois projetos de extensão atendem os zoológicos de Belo Horizonte e Bauru e, a atividade primária consistiu em prover assistência em medicina laboratorial para essas instituições e gerar dados científicos. Esses projetos contaram com a participação de mestrandos e doutorandos, contribuindo significativamente, de forma indireta, para as ações de educação ambiental, conservação e pesquisa que ocorreram nessas instituições. Assim, indiretamente, atenderam a um público numeroso, constituído pelas populações das duas regiões. Do ponto de vista quantitativo, os projetos resultaram em centenas de resultados laboratoriais, dezenas de publicações científicas e diversos projetos de dissertação de mestrado e tese de doutorado (exemplos de publicações – DOI: 10.1111/jmp.12542; DOI: 10.1016/j.jcpa.2021.05.006; DOI: 10.1111/jmp.12632). Durante o período quadrienal está em desenvolvimento uma dissertação de mestrado do aluno Eduardo Caixeta que estudou a ocorrência e a epidemiologia das doenças hemorrágicas virais em cervídeos no zoológico de Belo Horizonte e foi defendida uma tese de doutorado que incluiu material oriundo das duas instituições, além de outras instituições parceiras. O apoio de docentes e discentes do PPGCA contribui para a melhoria da prática médica veterinária nas instituições atendidas, além se ser um componente importante para auxiliar em suas políticas de comunicação e transparência, como exemplificado em https://prefeitura.pbh.gov.br/noticias/onca-pintada-janis-de-19-anos-morre-no-zoologico-de-bh.
p. Perícias envolvendo Crimes Contra Animais
A legislação brasileira evoluiu significativamente em relação aos maus-tratos a animais, passando de contravenção penal para crime, especialmente com a Lei do Meio Ambiente de 1998 e a Lei Sansão de 2020. Essas mudanças aumentaram a responsabilidade do Estado na investigação de tais crimes, mas revelaram a carência de peritos com formação em medicina veterinária, com apenas 1,72% dos peritos oficiais no Brasil sendo veterinários. Diante dessa lacuna, a Polícia Civil de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais (PCMG) firmou um acordo de cooperação com a Escola de Veterinária da UFMG. O projeto visou desenvolver laudos de necropsia e acelerar investigações, impactando diretamente a justiça para os animais e promovendo a formação de futuros profissionais. O projeto analisa a elaboração de laudos de necropsia e a revisão dos documentos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais . A equipe é composta pelos Professores Rogéria Serakides (coordenadora), Natália de Melo Ocarino, Ayisa Rodrigues de Oliveira, Roselene Ecco, Roberto Mauricio Carvalho Guedes e Renato de Lima Santos. Também participam os médicos veterinários Flávia Armani de Vasconcellos, Paulo Victor Nunes Rodrigues e Luisa de Oliveira Lisboa Lara, da Superintendência de Polícia Técnico-Científica. Ao analisar e padronizar laudos de necropsia ao longo de cinco anos, o projeto não apenas contribuiu para a apuração de crimes contra animais, mas também estabeleceu protocolos que garantiram a confiabilidade das evidências, fortalecendo o combate à crueldade e promovendo uma maior conscientização social sobre a importância da proteção animal.
Monitoramento e Vigilância Genômica de SARS-CoV-2 e Arboviroses
Coordenador: Flavia Figueira Aburjaile
Este projeto focou no monitoramento e vigilância genômica de SARS-CoV-2 e arboviroses, em colaboração com a OPAS/OMS e a rede United World Antiviral Research Network (UWARN). Realizado entre 2021 e 2022, o trabalho envolveu sequenciamento por nanoporos de amostras coletadas em diferentes estados do Brasil e na América Latina. A equipe, composta por doutorandos e pós-doutorandos, contribuiu para a análise de dados e redação de artigos científicos, visando aprimorar a resposta a surtos virais e reforçar a saúde pública na região.
q. Avaliação de Queijos da Serra da Canastra
Coordenador: Andrey Pereira Lage
Neste projeto, foram avaliados parâmetros microbiológicos e físico-químicos de queijos das regiões de Araxá e da Serra da Canastra durante o processo de maturação. Utilizando metagenômica, a pesquisa identificou a sucessão de populações microbianas, permitindo discutir com os produtores as questões sanitárias e de composição dos queijos, oferecendo alternativas para melhorar a qualidade do produto final. O projeto, financiado pela Fapemig, envolveu uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e estudantes.
r. Pesquisa sobre Reuso de Água
Coordenador: Alyson Rogério Ribeiro.
Em 2024, este projeto pioneiro investigou as questões ambientais e socioeconômicas relacionadas ao reuso de água para consumo potável no Brasil. Os resultados foram publicados em um periódico internacional de alto impacto, disponível aqui, e contribuíram para a discussão sobre a sustentabilidade da aquicultura em um policy brief elaborado em conjunto com a Academia Brasileira de Ciências, acessível neste link.
s. Desenvolvimento de Protocolos de Acompanhamento de SARS-CoV-2
Coordenador: Jenner Karlisson Pimenta dos Reis
Este projeto focou no desenvolvimento de protocolos geo-referenciados para monitorar a prevalência de SARS-CoV-2 em animais domésticos e humanos. Com a participação de uma estudante de mestrado, foram desenvolvidos métodos sorológicos para detectar infecções em pets e animais silvestres. A pesquisa teve relevância social e econômica ao identificar infecções que poderiam impactar a saúde pública, permitindo a implementação de novas medidas de controle viral.
t. Qualidade Microbiológica de Queijos Artesanais
Coordenador: Marcelo Resende de Souza
O projeto visou a caracterização microbiológica e físico-química de queijos artesanais de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , abrangendo as regiões de Araxá, Canastra e Campo das Vertentes. A pesquisa gerou dados fundamentais para a elaboração de regulamentos de identidade e qualidade, reconhecendo oficialmente os queijos e orientando os produtores sobre as matérias-primas e o processo de maturação. O trabalho também incluiu atividades de extensão, como dias de campo para disseminar conhecimento entre os produtores.
u. Medicapet: Acesso a Medicamentos Veterinários
Coordenador: Camila de Valgas e Bastos Castro
O projeto Medicapet visa arrecadar e distribuir medicamentos e suplementos veterinários para animais de tutores de baixa renda e aqueles resgatados por protetores. A iniciativa busca melhorar a qualidade de vida dos animais em situação vulnerável, garantindo acesso a tratamentos necessários. O projeto conta com a participação de pós-graduandos e está em fase de implementação.
v. Avaliação de Substâncias Proibidas em Bovinos
Coordenador: Silvana de Vasconcelos Cançado
Este projeto de pesquisa avaliou o uso de substâncias proibidas em bovinos, em colaboração com o MAPA e laboratórios de referência da União Europeia. A pesquisa, que incluiu a detecção de lactonas do ácido resorcílico em urina bovina, resultou na tese de um aluno e na submissão de artigos para publicação. Além disso, o projeto também se dedicou à avaliação microbiológica da qualidade de carcaças de frangos, abordando a presença de patógenos e a resistência antimicrobiana.
w. Responsabilidade social no atendimento ao público do Hospital Veterinário da UFMG
O Hospital Veterinário (HV) da UFMG oferece estrutura para o oferecimento de 27 disciplinas de graduação e pós-graduação, além de propiciar espaço para realização de pesquisa e extensão, com intensa atividade de prestação de serviços à comunidade, tanto para animais de companhia (cães, gatos, etc.) como para animais de produção (equinos, grandes e pequenos ruminantes, suínos, etc). O HV oferece atendimento às necessidades da sociedade no cuidado clínico e cirúrgico dos pacientes. Recentemente, o HV concluiu as obras do Laboratório Cirúrgico de Pequenos Animais (R$ 3.383.691,12, 1.019 m2), uma modernização necessária para que o Hospital continue na vanguarda, como Hospital referência que atende a uma média anual de 500.000 procedimentos. O HV mantém um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (número 01.151284.10.34, instrumento jurídico 01.2010.2300.0497.00.00) com o objetivo melhorar o controle de zoonoses na cidade, assegurando atendimento clínico, cirúrgico e outros procedimentos de suporte para animais sob a responsabilidade da Gerência de Controle de Zoonoses/SMSA. Além disso, a EV/UFMG e o HV colaboram com a cavalaria da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais , oferecendo assistência clínico-cirúrgica a animais enfermos, incluindo necropsias quando necessário. Na Clínica Médica de Equinos, a participação de alunos de pós-graduação e residentes se destaca no projeto de Correção Ambiental e Reciclagem com Carroceiros de Belo Horizonte (Projeto Carroceiro – https://vet.ufmg.br/projeto/carroceiros/), em parceria com o Serviço de Limpeza Urbana da Prefeitura, um projeto pioneiro no Brasil que recebeu reconhecimento nacional e internacional por sua relevância social e técnica. Atualmente a docente Ana Luísa Soares de Miranda realiza a coordenação de atividades no “Projeto Carroceiros” e rotina clínica da Clínica de Equinos do Hospital Veterinário da UFMG; reunião com empresas privadas parceiras com a presença dos pós-graduandos para desenvolvimento e financiamento de seus projetos; inclusão do aluno de pós-graduação Marcos Bruno Lemos Rausch no projeto agraciado com financiamento FAPEMIG.
O Hospital também participa do projeto PRO-SAÚDE II, que realiza castrações em animais de famílias carentes, contribuindo para o controle de zoonoses e controle de população. Todos os atendimentos e orientações são conduzidos por docentes e/ou pós-graduandos do PPGCA. Essas ações são fundamentais para promover a saúde animal e bem-estar animal e, consequentemente, a saúde e bem-estar da população.
RECURSOS PARA OS PROJETOS DE PESQUISA E EXTENSÃO
No quadriênio 2021-2024, o PPGCA captou R$ 109.089.676,10 para 125 dos projetos de extensão registrados, majoritariamente de parcerias público-privadas. Para pesquisa, foram R$ 6.792.186,32, com destaque para agências de fomento. Esses recursos mantiveram a infraestrutura e promoveram a captação de bolsas de pós-graduação. Detalhes estão no anexo “Projetos de Extensão e Inovação Quadriênio 2021-2024 PPGCA UFMG.pdf”
3.3.2. INTERFACES COM A EDUCAÇÃO BÁSICA, SUPERIOR, AÇÕES DE SOLIDARIEDADE, SAÚDE PÚBLICA ETC.
a. Projeto de Extensão Semeando Saúde Única
O projeto de educação em saúde (https://www.youtube.com/watch?v=8U8gIrt45Rk ), coordenado pelos Professores Camila S. F. Oliveira, Danielle F. M. Soares e Rafael R. Nicolino é um exemplo significativo de como a conscientização sobre zoonoses e a interconexão entre saúde animal, humana e ambiental podem impactar a sociedade. Com uma equipe de 21 membros da EV/UFMG, sendo seis pós-graduandos e 15 graduandos, o Semeando Saúde Única (SSU) atendeu entre 2021 e 2024 mais de 800 estudantes do 3o e 7o anos em atividades que abordam lacunas de conhecimento sobre zoonoses em suas comunidades( (https://vet.ufmg.br/noticia/alunos-do-projeto-semeando-saude-unica-visitam-a-escola-de-veterinaria/, https://vet.ufmg.br/noticia/neest-e-ong-bichos-gerais-promovem-tarde-divertida-para-criancas/). Atualmente a equipe do projeto também compartilha e produz materiais para uso em atividades didáticas para promoção de educação em saúde única de forma livre e gratuita (https://vet.ufmg.br/categoria/material-didatico-dmvp/).
b. Responsabilidade Social da Escola De Veterinária na Democratização do Acesso ao Ensino Superior e aprendizado de Línguas Estrangeiras
O projeto “Responsabilidade Social da Escola de Veterinária”, coordenado pela Professora Danielle Ferreira de Magalhães Soares, atua desde 2022 com a Paróquia Rainha da Paz, focando em população vulnerável. O projeto oferece ações de educação, como aprendizado de línguas e oficinas preparatórias para o ENEM, visando beneficiar estudantes de escolas públicas de Belo Horizonte e proporcionar experiências aos alunos de Medicina Veterinária da UFMG. Pós-graduandos do PPGCA, graduandos de Medicina Veterinária e voluntários têm ajudado a mitigar o impacto no ensino público pós-pandemia. Foram criadas duas oficinas de preparação para o ENEM, focadas em redação e matemática, que despertaram o interesse dos alunos pelo Ensino Superior. Visitas guiadas à UFMG durante as Mostras das Profissões e no Dia do Médico Veterinário também foram realizadas, em colaboração com a VetJR (https://vet.ufmg.br/noticia/vetjr-convida-para-a-vii-semana-do-veterinario/ ), resultando em aprovações em universidades públicas e bolsas de estudo em instituições privadas. Além disso, foram oferecidas aulas de inglês para crianças de escolas públicas, ministradas por estudantes de pós-graduação durante oficinas na Paróquia. As famílias escolheram atividades como música, artesanato e inglês para as crianças no contraturno escolar. O projeto contribuiu para a formação profissional dos extensionistas, promovendo aprendizado prático e uma nova perspectiva sobre realidades sociais.
c. Dia do ABC – Aprender, Brincar e Conhecer a Fazenda da Escola de Veterinária da UFMG
Nos anos de 2023 e de 2024, ocorreram a primeira e a segunda edição do evento de extensão “Dia do A,B,C: Aprender, Brincar e Conhecer” na Fazenda da Escola de Veterinária da UFMG, coordenado pela servidora Marilia Regina S. Rodrigues com participação de docentes e pós-graduandos do PPGCA (https://vet.ufmg.br/noticia/segunda-edicao-do-dia-do-abc-aprender-brincar-e-conhecer-no-municipio-de-igarape/ ). Este projeto teve como objetivo levar conhecimento sobre saúde animal, saúde humana e meio ambiente para as crianças do município de Igarapé, proporcionando uma experiência educativa fora da sala de aula. Durante o evento, os alunos participaram de diversas oficinas interativas, abordando temas como prevenção de doenças, qualidade da água e robótica aplicada à monitoramento animal. A relevância social desse projeto é evidente, pois promove a educação e a conscientização ambiental entre os jovens, enquanto a dimensão cultural é reforçada pelo envolvimento da comunidade escolar. Economicamente, a iniciativa contribui para a formação de uma população mais informada e engajada, essencial para o desenvolvimento sustentável da região. Além disso, os alunos receberam kits com livros e brinquedos, fortalecendo a conexão entre a universidade e a comunidade local.
d. Aulas Práticas Integradas a Campo para Veterinária e Aquacultura
O curso de graduação em Medicina Veterinária da Escola de Veterinária da UFMG oferece as “Aulas Práticas Integradas de Campo (APIC)” (https://vet.ufmg.br/projeto/aulas-praticas-integradas-de-campo-apic/ ) sob coordenação das profas. Lorena L. Ferreira , Camila V. B. Castro, Érica Azevedo e Maria Isabel Guedes, que são realizadas semestralmente com 75 horas de carga horária. Essas aulas ocorrem em propriedades rurais, no interior de Minas, e abordam temas como sanidade animal, nutrição e clínica e cirurgia de grandes animais. Dentre as APIC, que ocorrem durante os semestres letivos, uma APIC é direcionada para o ensino na área de Pequenos Animais e é desenvolvida em parceria com o Complexo Público Veterinário de Belo Horizonte. Os pós-graduandos participam das APIC, contribuindo para a aplicação do conceito de Saúde Única e promovendo diálogo com a sociedade, visando soluções para problemas reais e impacto social nas comunidades.
Além das APIC, o curso de graduação em Aquacultura realiza as “Aulas Práticas Integradas em Aquacultura (APIAQUA)” (https://2019.vet.ufmg.br/noticias/exibir/7048/alunos-de-aquacultura-visitam-pisciculturas-em-morada-nova-de-minas-m), possibilitando visitas técnicas a diversas produções comerciais de peixes ornamentais e de corte em Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais e no Brasil. Durante essas atividades, os discentes desenvolvem práticas como análise de qualidade da água, manejo de peixes e vacinação, sob a supervisão dos docentes Alyson R. Ribeiro e Guilherme C. Tavares. As aulas ocorreram em locais como Morada Nova de Minas e Alfenas, incluindo palestras para esclarecer dúvidas dos produtores.
e. Ações com as Secretarias de Saúde e Meio Ambiente do Estado e Prefeituras de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais
Participam dessa iniciativa as professoras Danielle F. M. Soares, Maria Isabel de Azevedo, Camila S. Oliveira, Camila V. B. Castro e Kelly M. Keller. O objetivo principal é a capacitação dos profissionais de saúde nas prefeituras de MG. As capacitações abordam principalmente a temática esporotricose zoonótica, mas outras questões de saúde única também são trabalhadas como leishmaniose visceral, raiva, febre maculosa, manejo ético populacional de cães e gatos, e atenção a pessoas em situação de acumulação. Em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, foi criada a Rede de Enfrentamento da Esporotricose Zoonótica, que oferece serviços gratuitos de diagnóstico animal, a Profa. Maria Isabel realiza o diagnóstico de esporotricose animal para todo o município, e tratamento de gatos em vulnerabilidade econômica e social em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente. É relevante destacar ainda, o Guia de Atenção à Situação de Acumulação de Animais, resultado de um grupo de trabalho nacional, vinculado ao Ministério Público de Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais e coordenado pelas docentes Danielle F. M. Soares e Camila S. F. Oliveira, que produziu o primeiro material de referência sobre o tema no mundo (https://defesadafauna.blog.br/wp-content/uploads/2023/08/Guia-Animais-em-situacao-de-acumulacao__digital.pdf ). O grupo participou de importantes eventos voltados a pessoas com interesse na questão (https://www.mpmg.mp.br/portal/menu/comunicacao/noticias/seminario-realizado-pelo-mpmg-debate-politicas-publicas-sobre-pessoas-em-situacao-de-acumulacao-de-animais.shtml). Outras iniciativas incluem a criação de estratégias para registro e identificação, dinâmica populacional, educação em saúde e destinação de cães e gatos para o Programa de Manejo Ético de Cães e Gatos e vigilância da fauna silvestre nos campi da UFMG (https://ufmg.br/comunicacao/noticias/cartilha-orienta-sobre-o-trato-de-animais-domesticos-e-silvestres-nos-campi, https://vet.ufmg.br/caderno-tecnico/cadernos-tecnicos-de-veterinaria-e-zootecnia-n-107-manejo-etico-populacional-de-caes-e-gatos-em-campi-universitarios/).
a. Produção dos cadernos técnicos para apoio didático em atividades de ensino e educação continuada
Entre 2021 e 2024, foram publicados 15 cadernos técnicos no âmbito da parceria entre a Escola de Veterinária da UFMG e o CRMV-MG https://vet.ufmg.br/pagina/cadernos-tecnicos/ ). O impacto social dessas publicações é notável: em 2021, a aba dos Cadernos na página da Escola registrou 19.180 acessos, refletindo o crescente interesse por informações atualizadas e especializadas. Essa democratização do conhecimento beneficia não apenas profissionais da área, mas também estudantes e interessados, reforçando a solidariedade acadêmica e promovendo a educação e a capacitação de uma comunidade mais ampla. A consulta contínua à página demonstra a relevância e a importância desses Cadernos Técnicos como ferramentas essenciais para o desenvolvimento profissional e a melhoria das práticas em veterinária e saúde animal. Além disso, em 2022, para celebrar os 90 anos da Escola de Veterinária, foi realizada uma ação significativa: a digitalização dos volumes 1 a 63 dos Cadernos Técnicos, que estavam disponíveis apenas em formato físico. Essa iniciativa não apenas preservou o conhecimento acumulado ao longo das décadas, mas também ampliou o acesso ao conteúdo, tornando os cadernos disponíveis em formato PDF nos sites do CRMV-MG e da Escola de Veterinária, fortalecendo ainda mais o compromisso com a educação continuada.
f. Parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR)
Em 2022, a EV/UFMG em parceria com o SENAR MINAS (https://vet.ufmg.br/clipping/sistema-faemg-e-ufmg-estudam-parceria/ ), realizou cursos com o objetivo de ampliar e atualizar os conhecimentos teóricos e práticos de supervisores e técnicos, incluindo veterinários, agrônomos e zootecnistas, que atuam diretamente com produtores rurais. Essa iniciativa promoveu uma valiosa aproximação entre os profissionais de campo e os discentes e docentes da pós-graduação, que estiveram ativamente envolvidos na preparação e administração dos cursos. As aulas ocorreram na Fazenda Experimental Prof. Hélio Barbosa, em Igarapé-MG, e foram oferecidos alojamento e infraestrutura para os alunos. Cada curso teve a duração de três dias, totalizando 16 horas/aula, e contou com a participação de 25 a 30 técnicos por turma, resultando na participação de 108 técnicos do sistema FAEMG/SENAR. Todos os cursos contaram com a presença de docentes e discentes do PPGCA, destacando o comprometimento acadêmico. Foram realizados quatro cursos: Curso de Capacitação na Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial, Curso de Criação de Bezerros, Curso de Boas Práticas Agropecuárias Aplicadas à Bovinocultura de Leite e Curso de Qualidade do Leite. Essas atividades não apenas elevaram a qualificação dos profissionais envolvidos, mas também impactaram diretamente a produção rural, promovendo práticas mais eficientes e sustentáveis, contribuindo assim para a transformação social e econômica das comunidades atendidas.
g. Curso teórico e prático de medicina de animais aquáticos
Curso de capacitação de médicos veterinários de campo na área de medicina de peixes, com ênfase em identificação de animais doentes a campo, técnicas de necropsia, coleta de material para exame laboratorial e análise e interpretação de exames. Realizado no ano de 2024, com financiamento pela Davis-Thompson Foundation e pelo CRMV-MG. Coordenado pelos professores Henrique Figueiredo e Guilherme Tavares, com a participação dos especialistas estrangeiros Esteban Soto Martinez (UC-DAVIS, USA) e a Dra. Paola Barato (Corpavet, Colômbia). O curso contou com a participação de discentes doi PPGCA como organizadores do evento. Uma edição deste mesmo curso foi também realizada no ano de 2024 em Huila, Colômbia, com a participação do prof. Henrique Figueiredo (https://www.facebook.com/share/r/UHuWKkb6v74Po8af/ ).
h. Programa de Iniciação Científica Jr. (BIC JR)
O Programa de Iniciação Científica Júnior da UFMG (BIC JR – https://aplicativos.ufmg.br/conhecimento/bicjunior/), em parceria com o COLTEC e outras escolas, é patrocinado pela FAPEMIG. Seu objetivo é conectar estudantes do Ensino Médio e Profissional à produção científica da Universidade e fomentar a formação científica de jovens. Entre 2021 e 2024, o PPGCA recebeu 17 bolsas para alunos de nível médio, promovendo a formação científica desde cedo e preparando-os para o futuro acadêmico, conforme detalhado no arquivo anexo: “Lista de bolsistas BIC Júnior orientados por docentes do PPGCA 2021-2024.pdf”.
i. Mostra Sua UFMG
Anualmente, a UFMG realiza a Mostra Sua UFMG (https://www.ufmg.br/mostra/#), proporcionando a estudantes de nível médio um contato direto com o campus e informações sobre os cursos de graduação. A participação de docentes e alunos do PPGCA enriquece o evento, especialmente nas áreas de Medicina Veterinária e Aquacultura. Essa iniciativa impacta socialmente ao alcançar milhares de estudantes e elevar a visibilidade da UFMG como um centro de educação, pesquisa e extensão.
j. Programa de Residência Integrada em Medicina Veterinária da Escola de Veterinária da UFMG (PRIMV)
O Programa de Residência em Medicina Veterinária (PRIMV) da EV/UFMG (https://vet.ufmg.br/curso/residencia/) foi implantado em 1998 como uma modalidade de pós-graduação lato sensu, destinada exclusivamente a médicos veterinários. Regulamentada pela Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005, e pela Portaria Interministerial nº 2.117, de 3 de novembro de 2005, essa modalidade de ensino se destaca pelo treinamento prático em serviço. Atualmente, o programa exige a conclusão de 26 disciplinas obrigatórias, ministradas por professores da EV/UFMG e do PPGCA. O PRIMV tem contribuído significativamente para o PPGCA, especialmente ao abordar as demandas práticas do atendimento, tanto em saúde pública quanto na clínica veterinária. Essas experiências geram questionamentos que motivam o desenvolvimento de projetos de pesquisa. Além disso, o atendimento possibilita a coleta de dados, amostras e a utilização de animais para projetos de investigação. Os docentes do PPGCA desempenham um papel ativo no PRIMV, não apenas ministrando disciplinas, mas também atuando como tutores e preceptores dos residentes. Notavelmente, muitos residentes optam por prosseguir com seus estudos em mestrado ao final da residência, trazendo ao programa alunos com uma formação diferenciada e um conhecimento aprofundado da realidade em suas áreas específicas. Em 2014, o PRIMV, que era exclusivamente da área de clínica e cirurgias veterinárias implementou três novas áreas de concentração: Sanidade e Diagnóstico de Doenças Animais e Zoonóticas, Saúde Pública com ênfase em Zoonoses e Controle Populacional de Cães e Gatos, e Saúde Pública com ênfase em Interface Saúde Humana e Silvestre. Áreas diretamente ligadas à saúde pública, reforçando a importância do Programa e a participação dos docentes do PPGCA em iniciativas que promovem a inserção social.
3.3.3 SOLIDARIEDADE ENTRE O PPGCA E PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO:
Outro aspecto relevante da visibilidade do PPGCA é o desenvolvimento de ações de solidariedade com outros Programas de Pós-Graduação no país, na área de medicina veterinária e ciência animal.
b. PROCAD Amazônia (Edital CAPES 21/2018): Epidemiologia e controle de doenças do tambaqui na piscicultura.
O PPGCA possui um projeto de cooperação institucional, o PROCAD-Amazônia, com a Universidade Nilton Lins e a Universidade Federal do Amazonas. Focado na “Epidemiologia e controle de doenças do tambaqui”, o projeto visa desenvolver competências em sanidade aquícola na região Norte, especialmente no Amazonas, através de estudos epidemiológicos e controle de doenças que afetam a produção do tambaqui. O projeto, iniciado em 2018 e previsto para terminar em 2025, é coordenado pelo Prof. Henrique C. P. Figueiredo, com a colaboração dos professores Carlos A. G. Leal, Felipe Pierezan e Guilherme C. Tavares. O projeto compartilhou recursos e infraestrutura para exames bacteriológicos, identificação de microrganismos por MALDI-ToF, treinamento em biologia molecular e sequenciamento de nova geração. Foram desenvolvidos diversos trabalhos de conclusão de curso, iniciação científica e dissertações de mestrado, resultando nas produções científicas disponíveis com os seguintes DOI: 10.1016/j.aquaculture.2024.741305, 10.3390/ani13182910, 10.3390/microorganisms12112327, 10.3390/microorganisms12122440, 10.1016/j.aquaculture.2024.742091, 10.1016/j.aquaculture.2022.738406, 10.1016/j.theriogenology.2022.07.010.
Duas publicações técnicas foram geradas: uma cartilha sobre “Sanidade e Doenças em Peixes Amazônicos” (ISBN 978-65-85771-01-6) e um volume dos Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia (ISSN 1676-6024) intitulado “Doenças Parasitárias em Peixes de Produção”. Anualmente, foi oferecida a disciplina de Tópicos Especiais: “Ações Procad: Sanidade na produção de Tambaqui”, totalizando 30 horas e dois créditos. Alunos do PPGCA participaram dessa disciplina, que foi ofertada remotamente. A mobilidade de discentes entre as universidades envolvidas ocorreu, com a vinda de três discentes de graduação, quatro de mestrado, dois de pós-doutorado, uma técnica de laboratório para a UFMG, e um discente de graduação e um de mestrado para Manaus. Os impactos do projeto incluem a ampliação de publicações científicas em revistas internacionais, com mais manuscritos já redigidos e alguns submetidos. Espera-se a continuidade da expertise adquirida em novos projetos sobre agentes infecciosos na piscicultura amazonense. Além disso, foram disponibilizados produtos farmacológicos e protocolos para o controle de doenças, visando reduzir perdas na criação do tambaqui e capacitar produtores na mitigação de riscos de transmissão de enfermidades.
c. Professores da UFMG em cargo estratégico e consultoria ad hoc no MAPA
O professor João Paulo A. Haddad, membro do corpo docente EV/UFMG, encontra-se cedido desde 2019 ao MAPA, onde ocupa o cargo de Coordenador Geral de Avaliação de Risco e Inteligência Estratégica (DAS 101.4). Nesta função, ele lidera a implementação de um abrangente programa de análise de risco relacionado à importação de animais e seus produtos. Além disso, coordena estudos focais para a expansão do status sanitário do Brasil junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em diversas cadeias produtivas. Ainda, os professores do PPGCA Camila S. F. Oliveira e Henrique C. P Figueiredo atuaram como consultores externos, no ano de 2024, no processo público de análise de risco para a importação de filés de tilápia do Nilo, destinados ao consumo humano, conduzido pelo MAPA. O Prof. Henrique também atuou, nos anos de 2021 e 2022, como consultor especialista do MAPA para a discussão juto à OMSA, da avaliação técnica de inclusão da enfermidade viral de tilápia ISKNV no rol de doenças de notificação obrigatória.
d. Participação de Docentes do PPGCA em Bancas e demais Atividades de Outros Programas e Instituições
Os docentes do PPGCA participaram de 161 bancas externas ao Programa, sendo 83 delas de mestrado, 8 de qualificação de doutorado e 52 de doutorado. Dos 55 docentes permanentes do Programa, 33 participaram de pelo menos uma banca externa durante o quadriênio. Essa participação ressalta a cooperação dos docentes do PPGCA com programas da área de Medicina Veterinária e áreas correlatas à pesquisa animal. A lista completa das participações está disponível no arquivo anexo ao relatório: “Participação em bancas externas PPGCA quadriênio 2021-2024.pdf”.