Artigo revela superbactérias nas fezes de cães alimentados com carne crua

09.05.2022

A dieta dos animais domésticos é um assunto importante e polêmico. Visando fornecer  uma maior qualidade de vida para seus pets, muitos tutores exploram e pesquisam sobre diferentes opções alimentares para seus bichinhos. Entre elas, a dieta baseada em carne crua, também conhecida como “alimentação natural”, vem se popularizando entre tutores de cães em diversos países, incluindo o Brasil.

Em um artigo, escrito por pesquisadores do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva  da Escola de Veterinária (DMVP), foram apresentados resultados de análises feitas em amostras fecais de 38 cães cuja base de alimentação era carne crua e 54 outros que foram alimentados com rações secas convencionais. As análises constataram que as fezes de uma porcentagem dos cães do primeiro grupo continham variantes da bactéria Escherichia coli resistentes a antibióticos e medicamentos, algumas delas classificadas como "superbactérias".

O estudo, intitulado Fecal Shedding of Multidrug Resistant Escherichia coli Isolates in Dogs Fed with Raw Meat-Based Diets in Brazil, escrito em parceria com cientistas do Departamento de Ciências Agrárias do IFMG de Bambuí e do Departamento de Veterinária e Ciências Animais da Universidade de Copenhagen, da Dinamarca, foi publicado na revista internacional Antibiotics, de grande relevância no cenário científico.

Um dos autores do artigo, Rodrigo Otávio Silveira Silva, professor da Escola de Veterinária, alerta para os possíveis riscos desses resultados: “Essas bactérias representam risco tanto para o cão, que pode se infectar, quanto para seres humanos em contato com esses animais. Essa ameaça ocorre principalmente pelo contato indireto com as fezes, que é muito comum, já que os cães têm o hábito de lambedura, inclusive do ânus. Devemos lembrar ainda do contato próximo de seres humanos e animais, que favorece essa possível transmissão. Em seres humanos, essa bactéria causa desde quadros entéricos, como diarreia, até quadros de infecção urinária e septicemia, sendo o último altamente letal se não tratado prontamente”.

A presença destas variantes de E. coli nas fezes dos animais pode ter sido causada pela existência destes tipos de bactérias em animais cuja carne crua foi consumida, tema abordado na seguinte matéria do jornal O Globo. Isso significa que além da contaminação indireta, há o risco de contaminação direta pelo consumo de alimentos cárneos, de forma similar ao que foi visto em cães. “Por isso, há uma recomendação de que alimentos cárneos, via de regra, sejam consumidos após correto cozimento, o que reduz muito a chance do que chamamos de DTAs, doenças transmitidas por alimentos”, explica o professor Rodrigo, reforçando as indicações de sempre cozinhar carnes pelo tempo necessário, independente de quem irá consumi-las, humanos ou animais.

Sobre a grande colaboração nacional e internacional para a  elaboração do artigo, o professor disse: “Participaram desse estudo pesquisadores da UFMG, principalmente, mas também do IFMG, na figura da Profa Fernanda Morcatti, uma parceira e grande estudiosa dessa bactéria, e dois integrantes da Universidade de Copenhagen, onde recentemente realizei meu estágio pós-doutoral (retorno no final de junho de 2022) analisando, entre outras coisas, essas amostras de cães que se alimentavam com carne crua. O estágio pós-doutoral, financiado pelo CNPq e apoiado pela Escola de Veterinária da UFMG, permitiu o contato com essas análises junto a esses pesquisadores que possuem grande experiência no tema”.

O artigo completo, em inglês, pode ser acessado aqui.




 

Compartilhe:

Escola de Veterinária da UFMG
Av. Antônio Carlos 6627
Caixa Postal 567, campus Pampulha da UFMG
CEP: 31270-901. Belo Horizonte, MG
TELEFONE DA ESCOLA: +55 31 3409-2001
WHATSAPP DA ESCOLA: +55 31 98661-8229
Hospital Veterinário da UFMG
Av. Presidente Carlos Luz, 5162
TELEFONE DO HOSPITAL VETERINÁRIO: +55 31 3409-2000 ou +55 31 3409-2276