Nova regulamentação para queijos artesanais de Minas Gerais é definida

14.04.2021

No dia 08 de abril de 2021, uma nova regulamentação acerca dos queijos artesanais mineiros foi apresentada em reunião com o Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, e demais autoridades e produtores mineiros. Valentini abriu a reunião salientando a importância do novo regulamento para os produtores das regiões de Alagoa e Mantiqueira de Minas, pois esses podem finalmente regularizar a produção de seus queijos, premiados dentro e fora do Brasil. 

A primeira etapa da regulamentação nos foi explicada pelo Professor Marcelo Rezende de Souza, do Departamento de Tecnologia e Inspeção da Escola de Veterinária da UFMG, em entrevista. Segundo ele, o processo se dá primeiramente na esfera cultural e social, onde a história de determinado modo de produzir queijo é estudada, a fim de distinguir as inúmeras maneiras de realizar a produção. A segunda etapa da regulamentação foi feita através das pesquisas realizadas pela Embrapa, em parceria com Emater e Epamig, que garantem a segurança do consumidor ao realizar testes para garantir que os produtos não são contaminados durante o processo.

A Secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento ainda salientou a importância de continuar o processo de regulamentação abrangendo a produção de outros queijos artesanais mineiros: “Nós temos uma caminhada longa para a regularização dos queijos artesanais de Minas Gerais [...] Nós estamos trabalhando intensamente para conseguir regulamentar queijos maturados com fungos, outros queijos como o Cabacinha, requeijão moreno, queijo de cabra e ovelha”. Segundo a Secretária, o maior problema enfrentado durante a regulamentação desses produtos é a dificuldade na realização de testes nos queijos pelos próprios produtores, já que muitos são de pequeno porte e não contam com laboratórios adequados próximos. Para superar esse impasse os produtores contaram com a recursos do Ministério da Agricultura, sobre isso, Tereza Cristina, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse: “São pequenos recursos, mas foram muito bem empregados por vocês, não é um valor significativo, mas eu sei diferença que isso faz para que os laboratórios  possam estar equipados para poder dar essa agilidade e facilidade, por estarem mais perto dos produtores. Minas é um exemplo dos queijos artesanais”.

A regulamentação do produto foi apreciada pelo presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Alagoa, Francisco Antonio de Barros Júnior e por Luiz Antônio Guimarães, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal da Serra da Mantiqueira, Francisco disse: “Isso é muito feliz para a gente [...] Eu estou aqui representando os produtores associados e não associados da nossa cidade. Hoje a gente está saindo da informalidade, da clandestinidade, vamos começar a viver uma nova fase, que muitos produtores não acreditaram que ia chegar”.

Também foi abordado na reunião a publicação de duas novas portarias acerca do tempo de maturação para a produção queijeira da Serra do Salitre e da Canastra, onde houve uma redução do tempo mínimo de 22 dias para 14. A UFMG teve um papel fundamental nessa redução, segundo a Secretária Ana Valentini, que parabenizou o Professor Marcelo Rezende e salientou a importância da pesquisa científica no processo.

Através das pesquisas conduzidas pela Universidade, “pôde-se garantir que 14 dias seriam suficientes para que o produto se adequasse aos padrões de inspeção físico químicas e microbiológicas, quando precedida do saneamento de zoonoses do rebanho, da ordenha higiênica, das boas práticas de produção de queijo e controle de maturação, para evitar uma recontaminação dos queijos”, conta Marcelo em entrevista. Ele também disse que esse trabalho já tinha sido executado pela UFMG em Araxá, por Gilson Sales, atual Superintendente de Agricultura do Estado, onde também foi constatado que o tempo de maturação poderia ser diminuído, o que levou a Associação de Produtores da Canastra (Aprocan) e os produtores da Serra do Salitre à procurá-los em 2018.

Sobre as vantagens da diminuição do tempo de maturação, o professor Marcelo ainda acrescentou que “a redução no tempo de maturação traz benefícios para o produtor de queijo artesanal, já que o menor tempo gasto na produção significa um maior rendimento econômico, possibilitando que o pequeno produtor tenha um retorno de capital mais rápido e seguro, o que gera crescimento socioeconômico e possibilita investimentos em diferentes partes de sua fazenda. O consumidor também sai ganhando com isso, já que o menor tempo de maturação faz com que a textura do queijo mude, trazendo um ganho sensorial para aqueles que preferem queijos menos maturados.”

O Governador Romeu Zema finalizou a reunião com um pedido de desculpas em nome do Estado Mineiro e Brasileiro para todos os produtores rurais que tiveram que atuar na ilegalidade, já que só agora o Estado “reconheceu esse trabalho tão importante que eles fazem e, principalmente, deu dignidade a uma atividade que o Estado nunca teve no passado, infelizmente, a preocupação de reconhecer e formalizar". Zema também agradeceu os produtores de queijo e a todos os envolvidos nas pesquisas, pois agora “estamos conseguindo levar não só para a população mineira e brasileira um produto saborosíssimo, de altíssima qualidade, que agora vai ter toda a segurança sanitária”.


 

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