Beatriz Pinho, aluna da EV, ganha o Grande Prêmio Conceição Ribeiro da Silva Machado

09.11.2020

A graduanda de medicina veterinária Beatriz Pinho Martins de Carvalho ganhou o Grande Prêmio Conceição Ribeiro da Silva Machado na XXIX Semana de Iniciação Científica, promovida pela Pró-Reitoria de Pesquisa neste ano de 2020. O trabalho premiado intitulado “Uso da espectrofotometria FTIR (Fourier Transform Infrared) e técnicas de aprendizado de máquina para detecção de fraude por adição de soro de queijo ao leite cru” foi orientado pelo professor Leorges Moraes da Fonseca, coordenador do Laboratório de Análise da Qualidade do Leite da UFMG (LabUFMG). 
 
Beatriz Pinho acredita na importância de compreender a cadeia do leite como um todo, e facilitar os processos de checagem da qualidade do produto garante que o leite chegue na mesa do consumidor cada vez melhor. Ela diz: "essa pesquisa é importante para a cadeia do leite como um todo, desde o produtor até o consumidor, garantindo a qualidade do alimento durante as etapas. A etapa de inspeção de alimentos, neste caso do leite, é de extrema importância e apresentar um trabalho em que leva um método feito em um equipamento usual em laboratórios para facilitar a análise é essencial”. 
 
O Grande Prêmio Conceição Ribeiro da Silva Machado consagra trabalhos de iniciação científica da área de ciências da vida, como medicina e farmácia. O trabalho de Beatriz foi premiado em duas instâncias, antes de concorrer ao Grande Prêmio, em que foi considerado com Relevância Acadêmica e Destaque.
 
 
O projeto de iniciação científica, desenvolvido no Laboratório de Análise da Qualidade do Leite da UFMG, tem como objetivo o uso de inteligência artificial para a detecção de soro de queijo adicionado ao leite cru, um método inovador para a triagem de fraude. A adição de soro de queijo ao leite cru é ilegal no Brasil e traz prejuizos monetários à indústria produtora de leite e prejuízos nutricionais ao consumidor final, como explica o professor orientador Leorges “a bebida láctea comercializada pode conter soro de queijo, devidamente especificado na embalagem do alimento, já o leite cru para consumo, como o leite pasteurizado ou leite UHT não pode conter soro. Além dos prejuízos à cadeia produtora de leite e os prejuízos nutricionais, na maioria das vezes não se sabe a origem desse soro adicionado ilegalmente ao leite”. 
 
Para a detecção, 585 amostras de leite adulteradas com soro foram analisadas pelo equipamento FTIR (Espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier). As amostras variavam as condições de concentração, temperatura e tempo, assim foi possível construir resultados analíticos sobre a adulteração do leite cru. 
 
Em uma segunda etapa, em parceria com o professor Sérgio Vale Aguiar Campos e seu doutorando Habib Asseis Neto, ambos do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, os resultados analíticos serviram de base para a construção de um algoritmo detector de fraudes ao leite cru. O interessante do algoritmo produzido pelos acadêmicos é a sua atualização automática, ele se alimenta dos novos dados inseridos para obter um resultado cada vez mais preciso. No primeiro uso, feito pelo trabalho de Beatriz, o algoritmo apresentou resultados com até 95,5% de acerto. 
 
 
Leorges acredita que o trabalho traz contribuições a médio ou longo prazo para a rotina laboratorial de inspeção de alimentos. Ele diz: “aproximadamente um milhão de amostras de leite são analisadas por mês neste equipamento em laboratórios brasileiros e não existe outro método mais eficiente para realizar a triagem de fraude neste equipamento que o proposto no projeto de Beatriz. A ideia é implementar a tecnologia na rotina dos laboratórios de inspeção de produtos de origem animal, um projeto que visa detectar, não só o soro de queijo, mas outros adulterantes que infelizmente estão presentes na produção de leite no Brasil”. 
 
Para o professor, "o maior alcance desse projeto é reunir duas áreas distintas, a área de inteligência artificial, domínio do Departamento de Ciência da Computação, e a área de Inspeção de Alimentos de Origem Animal que é domínio da Escola de Veterinária, desta forma foi uma parceria extremamente frutífera”. Beatriz também foi indicada pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG ao Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” na categoria Meninas na Ciência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
 
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