Cadela recebe implante de marca-passo no HV/UFU

24.07.2020

 
O dia 17 de julho de 2020 entrou para história da Medicina Veterinária de Uberlândia e estado de Minas Gerais. Nesta data, aconteceu o primeiro implante de marca-passo em cadela no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (HV/UFU). A paciente, que possui aproximadamente 15 anos de idade, apresentava arritmia cardíaca (bloqueio átrio ventricular de 3° grau e flutter atrial), necessitando da utilização de um marca-passo cardíaco.
 
A cirurgia foi realizada por uma equipe de seis pessoas: Drª. Suzana Akemi Tsuruta (médica veterinária do HV); Gustavo Henrique Batista de Oliveira (residente do HV); Dr. Frederico Homem da Silva e Dr. Marcelo Carrijo Franco (médicos do Departamento de Arritmias, Eletrofisiologia e Marca-passo do Hospital das Clínicas da UFU); Dr. Matheus Matioli Mantovani e Dr. Eutálio Luiz Mariani Pimenta (Professores da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, nas especialidades de cardiologia e anestesiologia veterinária, respectivamente). 
 
Estudantes de graduação do curso de Medicina Veterinária da UFU e os demais residentes do HV também acompanharam o procedimento, que durou aproximadamente 40 minutos. “O implante foi considerado um sucesso e a paciente já se encontra em seu domicílio. A realização desse procedimento marcou uma nova oportunidade para outros animais do Triângulo Mineiro que sofram do mesmo tipo de patologia”, ressalta Tsuruta.
 
 
Imagem da radiografia da cadelinha após o implante do aparelho
 
Família completa
 
Meli está de volta ao convívio com outros oito cachorros e 15 gatos. Ela foi adotada há cerca de 14 anos pela dona de casa Dalca Botaro Carvalho, que é voluntária na Associação de Proteção Animal de Uberlândia (APA Uberlândia) desde 1999, quando a entidade estava dando os primeiros passos e ainda não contava com uma infraestrutura física adequada nem com apoio de profissionais e medicamentos. “Nós a conhecemos na APA, já adulta e muito debilitada. Levamos para tratar em casa mesmo e também sempre tentávamos conseguir um novo lar para ela nas feirinhas de adoção. Como ninguém quis ficar com a Meli, minha filha assumiu a responsabilidade. Desde então, é uma grande amiga da família, super esperta e brincalhona”, conta.
 
Questionada sobre a preocupação com o procedimento cirúrgico inédito na região ao qual a cadelinha foi submetida, a tutora comenta que isso era inevitável, mas a qualidade de vida da companheira era o que mais importava: “Ela também tem outros problemas de saúde e vai precisar tomar remédio pelo resto da vida. Este marca-passo seria importante para dar um conforto. Estamos muito felizes com o resultado, porque a Meli voltou até mais animada do que já era.”
 
Professor Eutálio e a cadelinha Meli
 
O professor Eutálio Luiz Mariani Pimenta contou um pouco sobre como foi participar dessa força tarefa: 
 
“Foi uma oportunidade de poder fazer parte de uma iniciativa tão nobre, buscando vencer desafios para a realização de um procedimento complexo em um paciente de alto risco. O intercâmbio de professores entre duas Instituições Federais de ensino é muito válido e enriquecedor, além de estreitar laços. Além disso, podermos contribuir com nosso conhecimento dentro da nossa especialidade de atuação na medicina veterinária, fazendo a diferença na vida de uma “senhorinha”(a cadelinha Meli), tão amada por ser tutores, faz todo o esforço valer a pena”
 
Os professores Eutálio e Matheus também explicaram qual era o histórico da Meli e o que levou à decisão do implante de marca-passo.
 
A Meli, uma cadela SRD, com  idade aproximada de 15 anos de idade, deu entrada no hospital da UFU com ascite e fraqueza dos membros posteriores. O residente Gustavo Henrique  fez o exame clínico e observou bradicardia (frequência cardíaca baixa, de 45 batimentos por minuto) e sopro sistólico nós dois hemitórax . No exame cardiológico, realizado com o auxílio do Prof. Matheus Matioli Mantovani, foi diagnosticada a degeneração da válvula mitral pela ecocardiografia e no eletrocardiograma foi possível observar a presença do Bloqueio atrioventricular de 3o grau e flutter atrial. 
 
A opção  de tratamento possível seria o implante de marca-passo no coração. Através deste dispositivo é regularizar a frequência cardíaca. A partir de então foi montada uma força tarefa, com uma equipe multiprofissional para que fosse viável a realização deste procedimento inédito no triângulo mineiro. 
 
Apesar da dificuldades técnicas, financeiras e agravadas pela pandemia para a realização do procedimento, que demandou aproximadamente 3 meses de preparo, o mesmo foi realizado com sucesso no dia 17/07/2020 no Hospital Veterinário da UFU, tendo duração total de 40 minutos. A Meli seguiu internada por 24 horas para acompanhamento e continua bem no seu lar.
 
Cadelinha Meli entrou para a história da medicina veterinária no Triângulo Mineiro
 
 
  Redação com conteúdo da matéria de Hermom Dourado para o Portal Comunica UFU
 

 

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