HV-UFMG participa de testes com ventiladores mecânicos de baixo-custo

21.05.2020

Foram realizados na semana passada testes com suínos no Hospital Veterinário (HV-UFMG) como fase importante no desenvolvimento de ventiladores mecânicos de baixo custo para o enfrentamento da pandemia de COVID-19. O desenvolvimento do projeto “InspirAR” da empresa Tacom, que surgiu da inquietação de Marco Antônio Tonussi, CEO da empresa, ao ver a confusão causada pela falta de ventiladores; e de ventiladores da parceria entre Supermix-Alphamed tem como objetivo principal salvar vidas e ajudar os hospitais nessa batalha árdua contra o coronavírus. E um dos aspectos centrais dessas iniciativas é diminuir o preço destes equipamentos que giram em torno de 60 mil reais e chegam a ser vendidos por até 150 mil por empresas oportunistas neste momento de crise. 
 
A professora da Escola de Veterinária, Suzane Beier, que esteve envolvida nos testes junto aos professores Eliane Gonçalves, Eutálio Pimenta e a diretora Zélia Inês Portela Lobato, destaca a emoção em participar deste projeto. “Quando vimos o porquinho respirando com o ventilador, olhei para Marco, e ele estava com os olhos marejados. Todos os engenheiros ali ficaram emocionados. É muito gratificante contribuir com um projeto assim”.
 
A Tacom, empresa do complexo industrial de transportes, e a Supermix, empresa produtora de concreto, desenvolveram projetos similares, mas separados, e contaram com a ajuda dos professores e profissionais da Escola de Veterinária. Mesmo seguindo as diretrizes internacionais na produção de ventiladores, a parte clínica ainda precisava ser melhorada. 
 
Marco Antônio relata que desde a adição de uma alça para manejo nos ventiladores, até detalhes na programação do software do produto tiveram contribuições da equipe da Escola de Veterinária, “Tivemos uma verdadeira aula [com a professora Suzane] que durou quase meio-dia. Foi fundamental. Eu levei a equipe de engenharia inteira e ela realmente entrou na Engenharia Clínica, que era o mais importante”. O empresário também destacou a importância do professor Eutálio, anestesista, que deu “outra aula” durante as dez horas de testes. 
 
Foi disponibilizada, então, além da participação de uma equipe de aproximadamente 15 pessoas, a estrutura física do Hospital Veterinário, equipamentos e manejo, e aquisição dos suínos Romeu e Julieta, um macho e uma fêmea. “Apesar de ser um Hospital de animais, todos os aparelhos são também de uso humano. Então temos todas as condições de realizar os testes. E não só os aparelhos, mas também os próprios medicamentos para fazer anestesia e colocar o animal em condição de realizar o procedimento”, relata a professora Eliane Gonçalves, diretora do HV-UFMG.
 
A professora Suzane explica que também na parte técnica do projeto houve auxílio da veterinária, pois por se tratar de um grupo de engenheiros mecânicos, havia a necessidade da lapidação da parte de clínica médica no desenvolvimento dos ventiladores.
Tonussi acredita que a produção para a próxima semana já chegue a 400 equipamentos. “É uma quantidade bem relevante. O Brasil produziu, nos últimos 30 dias, 600 unidades no total. É um desafio muito grande que estamos nos propondo. Estamos querendo fabricar, no período de 90 dias, entre cinco e dez mil equipamentos. É um projeto muito audacioso. Tomara que dê tudo certo. Eu dira que é o projeto da minha vida!”. 
 
Essas primeiras 400 unidades chegarão a custo zero aos hospitais graças à parceria com a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), que articulou a captação de dinheiro com parceiros do mercado na criação de um fundo para subsidiar esses equipamentos.
 
 “A nossa esperança é que dê certo. A gente quer que no final possamos sair dali com uma resposta que vá ajudar num menor tempo possível as pessoas que estão precisando. Apesar de sermos da veterinária, o que queremos neste momento, é ajudar”, ressalta a professora Eliane Gonçalves. Ela afirma que a capacidade de atuação da Universidade vai muito além dos muros do campus, e a UFMG tem se mostrado fundamental no combate à pandemia. 
 
Suzane e Tonussi explicam que cada ventilador mecânico poderá salvar até 5 pessoas. Se multiplicarmos pelo número de ventiladores que serão produzidos, são mais de 20 mil pessoas socorridas só nessa primeira fase de produção, o que já valeria todo o esforço empenhado.
 
 
 
Testes em Humanos
 
 
A próxima fase é o teste em humanos e será realizado, segundo Beier, em parceria com o Hospital das Clínicas e o Hospital da Baleia. A diretora da Escola de Veterinária, professora Zélia Lobato, avalia positivamente essa experiência. “Os resultados dos testes prévios em animais podem contribuir para constatar a eficiência do ventilador pulmonar no suporte respiratório in vivo, necessário ao tratamento dos pacientes em insuficiência respiratória aguda. Estes resultados são importantes, pois podem colaborar para que se tenha uma segurança maior do bom funcionamento destes equipamentos para uso humano.”
 
“Esta é uma entre as muitas atividades que estão sendo desenvolvidas no auxílio ao combate à pandemia dentro da UFMG e que demonstra que a nossa comunidade acadêmica, com conhecimento científico voltado para os mais diversos saberes, está preparada para, prontamente, participar e contribuir com a sociedade sempre que demandada” finaliza Zélia, demonstrando que nunca Romeu e Julieta foram tão importantes para a ciência como agora. 

 

 

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