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Ex-professor da Veterinária é homenageado em nome de nova espécie de carrapato

19.08.2019

Segundo o Anuário do Leite 2018, produzido pela Embrapa, Minas Gerais é o estado com maior produção de leite no Brasil - cerca de 9 bilhões de litros de leite por ano, quase 30% de todo produção nacional. Segundo o ex-professor da Escola de Veterinária, Romário Cerqueira, grande parte desses animais possuem origem europeia e se adaptaram muito bem ao clima tropical e subtropical do Brasil. Pelo lado da produção essa é uma grande vantagem, visto que o país é o 4º maior produtor mundial de leite segundo dados do IFCN (2018), mas também possui um lado não tão bom assim: um rebanho tão grande atrai também mais parasitos.
 
Os ecto e endoparasitos, somados, causam uma perda de 18 bilhões de dólares à pecuária brasileira. Foi o que uma pesquisa de Romário em parceria com o professor Larte Grisi, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), concluiu. Desses 18 bilhões, o carrapato-bovino (Rhipicephalus microplus/ Boophilus microplus) é responsável pela perda de 3,24 bilhões, uma das espécies que o ex-professor da Escola de Veterinária estudou durante décadas.
 
Romário Cerqueira desenvolveu trabalhos na área de epidemiologia e controle de doenças parasitárias de 1982 até 2018, ano de sua aposentadoria. Antes mesmo de iniciar seus estudos em ectoparasitos, foi o primeiro pesquisador do estado de Minas Gerais a identificar as principais espécies de Eimerias que existiam no estado. Somente no mestrado se direcionou para os ectoparasitos, com orientação do professor José Divino Lima, o qual tinha como especialidade a parasitologia.
 
 
 
Professor Romário Cerqueira.
 
Das 65 espécies de carrapato nacionais, Romário estudou os 4 principais: carrapato do boi (Rhipicephalus microplus/ Boophilus microplus); carrapato do cavalo (Amblyomma cajennense), “o qual pode se hospedar em qualquer animal, inclusive no humano, e é o principal transmissor de febre maculosa no estado de Minas Gerais”. Tanto o  Boophilus microplus quanto o Amblyomma cajennense, posteriormente, foram objeto de seus estudos em epidemiologia. Além desses dois, estudou sobre o carrapato do cachorro (Rhipicephalus sanguineus), publicando artigos e fazendo orientações, e o carrapato da orelha do cavalo (Dermacentor nitens).
 
O professor também trabalhou com empresas, tanto no desenvolvimento de produtos veterinários quanto na assessoria de questões ligadas à medicina veterinária. Durante esse período o pesquisador conseguiu viajar por todo o país e conhecer melhor sua realidade de perto, dando respostas à problemas reais, o que foi fundamental para adquirir experiência.
 
Para Romário, “professor bom é aquele que produz aluno que o supere no tempo e no espaço”. Por mais de 40 anos orientou alunos para que o superassem, o que de fato ocorreu e o deixa muito orgulhoso.
 
Um dos exemplos mais notáveis foi Marcelo Labruna, ex-aluno de  Iniciação Científica, estagiário e orientado no mestrado por Cerqueira, que integrou um time de pesquisadores responsáveis pela descoberta de uma nova espécie de carrapato. Ela se encontra na Mata Atlântica, nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, e se hospeda nos macacos Sauá (Callicebus nigrifrons). A descoberta é importante para a acarologia nacional, uma vez que a espécie é “um exemplo vivo da coevolução entre o parasita e seus hospedeiros” e abre grandes caminhos para pesquisas na área.
 
A espécie foi batizada de Amblyomma romarioi em homenagem ao professor Romário Cerqueira, o qual contribuiu por mais de 40 anos com o estudo de controle de carrapatos e doenças transmitidas por eles. Romário se diz “maravilhosamente bem” com a descoberta e homenagem, e igualmente surpreso, uma vez que esse tipo de acontecimento costuma ocorrer após a morte de um grande pesquisador. Dessa forma seu nome foi “gravado na posterioridade”.
 
 
Amblyomma romarioi, nova espécie de carrapato descoberta.
 
Fonte: Reprodução/Thiago Fernandes Martins
 
Apesar de aposentado, continua produzindo conhecimento. Ele é professor visitante do curso de pós-graduação no Maranhão, na Universidade Estadual do Maranhão, dentro da área de defesa sanitária animal. A Universidade é a única do Brasil que possui mestrado e doutorado nessa área, a qual o professor ajudou a criar.
 
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