Em entrevista, professor Lívio Molina projeta os próximos passos do Unileite

11.07.2018

No último Dia de Campo realizado pelo Unileite no município de Pompéu , o coordenador do projeto, Lívio Molina, contou em uma entrevista exclusiva as principais contribuições da iniciativa, além de projetar o futuro do Unileite. Confira a seguir a entrevista completa.
 
  • Pra você, qual a importância do Dia de Campo para os alunos de Medicina Veterinária, para os fazendeiros e ordenhadores?
Para os produtores, o dia de campo é uma oportunidade para que eles tragam os seus questionamentos, aquilo que os incomoda no dia-a-dia com relação às questões técnicas e operacionais, produtos a serem utilizados, tudo isso com foco na melhoria da qualidade do leite. Além disso, também se assume uma questão de viabilidade econômica de lucratividade dentro da atividade, de maneira sustentável, o que garante a longevidade desse indivíduo como produtor e também da sua equipe e propriedade.  Desse modo, é ofertado para o mercado um produto sadio, saudável, saboroso e de altíssimo valor nutricional, que é o leite.
 
Para o estudante é uma oportunidade de se expor para o mercado de trabalho e às condições práticas da atividade que ele irá executar na sua vida profissional, numa fase acadêmica ainda precoce. Os estudantes no projeto Unileite a partir do 4º período de Medicina Veterinária se expõe rotineiramente a condições reais de mercado, vão pra linha de frente como argumentadores e contestadores, trazem para sua vida pessoal e profissional um monte de ensinamentos que podem efetivamente dar a eles uma perspectiva melhor na sua inserção no mercado de trabalho.
 
Hoje, tivemos uma prova viva disso, com as palestras de três de ex-alunos da Escola que passaram por um treinamento nessa linha. Mas, especialmente, a palestra do Henrique Freitas, que é um ex-integrante do Unileite. Ele passou por todas as etapas do projeto do 4º ao 10° período. Foi assistente e coordenador de duplas e terminou o ciclo como coordenador de equipe, sendo responsável por uma outra edição, há sete anos, de um evento como esse, que envolveu cerca de 300 produtores de leite e diversos estudantes de graduação de várias instituições acadêmicas.
 
Já para o ordenhador, é uma maneira de reconhecer o empenho dele e seu trabalho na linha de frente. Reconhecer que eles são os transformadores dos resultados e de toda essa cadeia inter relacionada, trazendo também, para junto de nós, fornecedores de insumos, representantes das principais empresas de agronegócio de leite no Brasil. Esses parceiros nos ajudam não apenas financeiramente, mas também na captação de egressos para o projeto.
 
  • Quais dados alcançados pelo projeto você destacaria como mais importantes?
Os números são interessantes. O Unileite está há 16 em atividade, desde 2002. São 288 egressos, estudantes de veterinária da UFMG. São 258 fazendas que já foram atendidas com o acompanhamento do projeto Unileite. São 27 municípios que já foram atendidos pelo projeto. São 800.000 quilômetros percorridos em atividades de campo, deslocamento entre fazendas e entre a Escola de Veterinária e as propriedades. Nós não conseguimos medir o impacto de um projeto como esse em todas as pessoas, porque é algo imensurável.
 
Em números, nós podemos dizer que certificamos 470 ordenhadores, e hoje, certificamos mais 35. São 505 ordenhadores com curso formal de 120 horas de treinamento, aprendendo as melhores técnicas e práticas com excelente padrão de higiene e qualidade. Dessa maneira, já foram realizadas 152 palestras em eventos de produtores Brasil a fora. Palestras que levam esses resultados e informações a produtores de leite do Brasil todo.
 
Nosso país é um dos  principais participantes do mercado internacional de leite, o 4º maior produtor mundial, produz mais de 30 bilhões de litros de leite o estado de Minas Gerais representa quase um terço dessa produção nacional, tradicionalmente um estado produtor de leite. Cabe a nós enquanto Universidade, profissionais de agronegócio e cidadãos, oferecer para a cadeia produtiva algo que seja possível dentro das nossas competências, por mais limitadas que sejam, mas que possam ser agregadoras.
  • Qual a principal motivação desse projeto?
É acreditar que o Brasil é um país maravilhoso pra se viver e que, mesmo passando por momentos tão difíceis como nos últimos anos, nós não podemos desacreditar nele. Eu tenho uma vocação eminentemente para o agronegócio. O Brasil é inquestionável em qualquer país do mundo dentro desse contexto.
 
O leite assume lugar de destaque, empregando e mantendo mais de 4 milhões de pessoas diretamente ligadas à atividade Brasil afora só em fazendas, sem contar em outros elos da cadeia, como transportadores, indústria, varejo, técnicos, produtores de insumos. Então, é uma cadeia que movimenta uma quantidade enorme de brasileiros e, naturalmente, quem são os agentes transformadores da sociedade são os jovens talentos. O que nos motiva a continuar buscando a superação diária é o poder que um projeto como esse tem de gerar um Brasil cada vez melhor, mais sério, seguro e agradável para nós e para os nossos descendentes. 
  • Qual a sua expectativa para os próximos anos do projeto?
Todos os dias nós buscamos agregar a esse projeto mais pessoas que comungam da mesma ideia e dos mesmos valores que nós, que acreditem no agronegócio, nos jovens e no potencial do Brasil. Então, a expectativa para o próximo ciclo, que provavelmente acontecerá na região oeste de minas, é que passemos mais um ano de atividades tendo condições de atingir um número maior de produtores.
 
Através de ciclos de palestras esperamos que em 2019 seja realizado mais um dia de campo, já com outra população, de modo a somar os números conquistados. A principal expectativa que eu tenho é que esses valores possam se multiplicar e que eles sejam democraticamente distribuídos entre várias pessoas.
 
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