Entenda como a síndrome da mancha branca nos camarões afeta o seu bolso

20.03.2018

A síndrome da mancha branca é uma doença viral que afeta camarões e outros crustáceos, caracterizada pela sua rápida manifestação e por causar um alto índice de mortalidade nesses animais. O professor da Escola de Veterinária, Henrique César Figueiredo, esclareceu os impactos que ela traz para os produtores de camarão e como ela afeta os consumidores da iguaria. 
 
O vírus causador da doença (whispovirus), conhecido popularmente como vírus da mancha branca, começou a ser diagnosticado no Brasil no final da década de 1990, em Santa Catarina. “Os surtos dessa virose em Santa Catarina levaram praticamente à paralisação do setor produtivo de camarão naquele estado. As fazendas fecharam, porque a mortalidade que ocorria nos sistemas de produção era quase de 100%”, conta o professor. Mais tarde, os surtos se alastraram para o nordeste, que é uma das principais regiões produtoras de camarão do país. Até hoje, a região perde cerca de 40% da sua produção para a doença. 
 
Os camarões infectados pelo vírus perdem o apetite e começam a se movimentar mais lentamente. Em seguida, observa-se o surgimento de algumas manchas brancas na cutícula externa do animal, característica que dá nome a doença. Mas, o professor alerta que outros fatores também podem ocasionar a aparição dessas manchas. “Existem outras condições não infecciosas que podem levar a manifestação de manchas. Então a recomendação de uma maneira geral para as fazendas é: quando detectar ou observar a presença de animais com manchas brancas, fazer o diagnóstico laboratorial para confirmar se realmente é o vírus da doença da mancha branca que está circulando naquela propriedade”.
 
Não existe nenhum tratamento para recuperar uma população de camarões infectada pela doença. Os produtores precisam investir na prevenção da entrada do vírus nos tanques de produção. Essa prevenção pode ser feita por meio da compra de pós-larvas de camarão, que são as formas jovens do animal, que irão crescer e se desenvolver livres do vírus.
 
Além disso, também é preciso garantir que a água bombeada nos tanques, principalmente água marinha, esteja livre de zooplâncton (micro crustáceos que também se contaminam pelo vírus). Para isso, se faz necessário o tratamento dessa água, que pode ser feito através do processo de cloração. “Isso não é tecnologicamente barato, principalmente quando se tem que trabalhar com grandes volumes de água. São metros e metros cúbicos em cada um desses tanques”, explica Henrique.
 
A doença não traz nenhum risco à saúde humana, mas ela pode afetar muito o bolso dos consumidores. Como o vírus tem levado a uma mortalidade muito grande no campo e os frigoríficos brasileiros não processam os animais doentes, o produto que chega ao consumidor é ainda um produto bom, mas em um preço muito alto.
 
Dessa forma, apesar de ter que lidar com uma grande perda de produção e dificuldade de planejamento, os criadores de camarões ainda têm lucro devido à supervalorização do produto no mercado. “E isso é uma armadilha, porque na verdade quem paga essa conta no final também é o mercado e o próprio consumidor que tem um produto muito mais caro”, afirma o professor.
 
Henrique acredita que ainda falta muito investimento em estruturas de prevenção sanitárias dentro das fazendas. “Acho que o futuro da produção de camarão no Brasil tem que passar pelo aumento da biossegurança dos sistemas de produção. Biossegurança é um conjunto de medidas que impedem que o vírus entre na fazenda, seja pelos animais que estou comprando, seja pela água que estou trazendo”, finaliza.
 
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