Professor da UFMG integra grupo de pesquisa que mapeia diversidade individual de mamíferos na Mata Atlântica

05.02.2018

Um trabalho recém-publicado na revista americana Ecology desvendou a grande variação de peso de 279 espécies de mamíferos e de mais de 39 mil indivíduos em toda a Mata Atlântica do Brasil, da Argentina e do Paraguai, que resultou no maior inventário de mamíferos terrestres e voadores do bioma.
 
No formato data paper, a publicação foi elaborada por 96 autores, entre eles o biólogo Marco Aurélio Ribeiro de Mello, professor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, que contribuiu com dados de medidas morfométricas de morcegos coletadas ao longo de 20 anos. O trabalho é parte de uma iniciativa dos professores Mauro Galetti e Milton Ribeiro, da Unesp, o Atlantic-Series. O objetivo é disponibilizar grandes bancos de dados sobre a biodiversidade na Floresta Atlântica para utilização da comunidade científica internacional.
 
“Compilar estes dados é um sonho antigo de vários cientistas brasileiros. É como se finalmente conseguíssemos juntar várias peças de um gigantesco quebra-cabeça, dando a oportunidade para pessoas do mundo todo acessarem e conectarem essas peças que, juntas, formam grandes quadros”, explica o professor Marco de Mello.
 
O peso é uma das características mais importantes de um animal, pois influencia sua capacidade de sobrevivência em ambientes modificados pela presença humana. De acordo com a pesquisa, mesmo entre seres de uma mesma espécie, a variação da medida pode chegar a até cinco vezes. Uma onça parda adulta que vive na floresta do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, por exemplo, chega a ser quase duas vezes mais pesada que as onças pardas encontradas em pequenas florestas do Estado de São Paulo. Inspirados nas potencialidades dessa medida corporal em revelar dados importantes para a ciência, o grupo de pesquisadores decidiu organizar as informações sobre o peso de 388 populações de mamíferos na Mata Atlântica.
 
Para o levantamento, foram utilizadas informações de capturas espalhadas por 388 áreas, que agrupam informações morfológicas de mais de 16 mil indivíduos de 181 espécies de mamíferos terrestres e de cerca de 23 mil indivíduos de 98 espécies de morcegos. Com essas informações em mãos, os pesquisadores podem investigar se os indivíduos são capazes de se adaptar a mudanças climáticas, buscando entender os motivos pelos quais alguns são maiores que os outros.
 
Este banco de dados permite um enorme salto qualitativo no estudo da biodiversidade brasileira. “Há séculos cientistas estudam a nossa biodiversidade e agora finalmente é possível começarmos a fazer sínteses teóricas mais aprofundadas”, completa o professor do ICB UFMG.
 
Segundo o pesquisador da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e coordenador do grupo de pesquisa, Fernando Henrique Martin Gonçalves, as informações obtidas por meio do estudo auxiliam não somente no entendimento da ecologia de diversas espécies, mas também na descoberta de novas formas de preservação.
 
"Esse estudo é um compilado dos esforços de mais de 100 anos de pesquisa na Mata Atlântica e de vários profissionais que se dedicam à conservação desses mamíferos. Não fazia sentido informações tão ricas e de tanta qualidade ficarem espalhadas. Em conjunto, elas podem ajudar a entender a ecologia e principalmente entender a conservação de diversas espécies", afirma Fernando Gonçalves.
 
 

 

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