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Notícia

Prejuízo para animais com a Stock Car é incalculável, afirmam diretores da Escola de Veterinária

Em entrevista à UFMG Educativa, Afonso de Liguori e Eliane Gonçalves sustentam que, de acordo com o conceito de saúde única, um hospital veterinário equivale a uma unidade de tratamento de humanos

Por Alessandra Costa.

Texto produzido e publicado originalmente pelo CEDECOM UFMG.

O link da matéria estará no fim desta página. 

 

Prejuízo para animais com a Stock Car é incalculável, afirmam diretores da Escola de Veterinária

 

A falta de informações sobre as obras para a realização da corrida Stock Car, prevista para agosto, e de um cronograma das próximas etapas das intervenções, que já estão em andamento nos arredores da Escola de Veterinária e do Hospital Veterinário da UFMG, causam apreensão sobre o destino dos animais residentes nas duas unidades e também daqueles trazidos por tutores para tratamento.

“Vamos fechar a entrada principal. Não há como chegar caminhões de alimentos para os grandes animais, medicamentos para o Hospital Veterinário, e muito menos os próprios animais. Imagine um cavalo com cólica, precisando de atendimento emergencial, não tem como chegar”, exemplificou a vice-diretora da Escola de Veterinária, Eliane Gonçalves de Melo, durante entrevista ao apresentador do programa Expresso 104,5 da Rádio UFMG Educativa, Luiz Fernando de Freitas, nessa segunda-feira, 13 de maio.

A conversa também contou com a participação do diretor Afonso de Liguori. “É importante as pessoas compreenderem que hoje, dentro do conceito de saúde única, o Hospital Veterinário equivale a um hospital para tratamento de humanos. Então, acreditamos que dificilmente alguma pessoa, sendo ou não da área médica, ou veterinária, iria acreditar que foi uma boa decisão construir um autódromo ou uma pista de corrida ao lado de um hospital”, pontuou Liguori.

Uma das preocupações dos diretores é o possível desligamento de energia elétrica durante as obras de construção da pista da Stock Car. Segundo eles, ainda não há qualquer informação oficial ou cronograma que possibilite o planejamento de medidas paliativas. “Como vamos manter estufas de gás carbônico, respiradores de animais, freezer a – 80°C?”, questionou a vice-diretora, para quem o prejuízo será incalculável, caso a realização da corrida a 50 metros das instalações hospitalares se concretize.

Ela não descarta o fechamento temporário do Hospital Veterinário diante da impossibilidade de manter animais sob condições insalubres. “Você vai ter uma corrida que vai ter um som muito alto, intermitente, muito acima do que o animal suporta, capaz de assustar um cavalo no piquete, por exemplo, que pode fugir, pular a cerca, se machucar, sofrer fraturas, traumatismo craniano, e isso determinar a eutanásia desses animais”, ilustrou.

A dirigente lembrou que a Escola de Veterinária atende a animais “que valem milhões”. “Estamos falando aqui de valores, mas hoje um pet, um cão, um gato, ele é um ente da família, não tem preço, não valor. Como vamos manter um animal desse no hospital, frente a um acontecimento dessa grandeza? Então, realmente não pensamos em abrir o Hospital Veterinário”, disse.

Danos a equipamentos

Os dirigentes foram convidados a esclarecer os prejuízos estimados com possíveis danos a equipamentos de alta precisão dos laboratórios da Escola de Veterinária, decorrentes da trepidação provocada pelo maquinário pesado usado para compactar o solo na construção do circuito da Stock Car. Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte, na semana passada, foi divulgado que somente os equipamentos do Laboratório de Qualidade do Leite, que recebe amostras para análise de 14 mil fazendas e 300 laticínios, por meio de convênio com o Ministério da Agricultura, estão avaliados em R$ 9 milhões. Durante a entrevista, os diretores esclareceram que o valor total dos equipamentos inventariados na Escola de Veterinária e no Hospital Veterinário que podem ser danificados ultrapassa R$ 36 milhões.

“A trepidação será tão intensa que eles [a empresa contratada pela Prefeitura de Belo Horizonte para fazer uma vistoria cautelar] estão fazendo uma avaliação estrutural sobre a possibilidade de rachaduras nos prédios. Ou seja, não é uma obra pequena, não é só recapear a pista, fazer uma manta de asfalto nova, eles vão construir uma pista especial para a Stock Car”, explicou o diretor.

Outra preocupação da diretoria da Escola de Veterinária reside no fato de que a realização da etapa da competição em Belo Horizonte está prevista para os próximos cinco anos e a construção da pista deve atrair outros eventos semelhantes – os dirigentes enfatizaram que não são contra a competição na capital, mas argumentam que o local escolhido é inadequado. A vice-diretora mencionou, ainda, a classificação equivocada do Hospital Veterinário da UFMG como clínica, com o intuito de subestimar os impactos decorrentes da realização da prova em seus arredores. “É o maior hospital veterinário das instituições federais de ensino superior do país”, lembrou.

Leia a matéria na íntegra, no site da UFMG, clicando aqui.

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