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Notícia

Pesquisadores da UFMG descobrem fóssil de peixe-boi com mais de 40 mil anos

Estudo desenvolvido junto aos Laboratórios de Evolução de Mamíferos e de Paleozoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG descobriu uma quarta e nova espécie fóssil de peixe-boi que foi nomeada como Trichechus hesperamazonicus, ou peixe-boi do oeste da Amazônia. É o primeiro registro de uma espécie fóssil do gênero Trichechus. Os resultados da pesquisa foram apresentados na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology, da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados dos Estados Unidos.
 
Segundo o professor Mario Cozzuol, do departamento de Zoologia do ICB e um dos autores da pesquisa, “é importante lembrar de que existem espécies fósseis da família Trichechidae, apenas não haviam espécies fósseis do gênero Trichechus. De qualquer forma, fósseis dessa família são de maneira geral raros”, esclarece. Todos os outros fósseis até então conhecidos são atribuídos a espécies viventes. Os cientistas já tinham descoberto fósseis da família Trichechus na Amazônia, mas nenhum era de uma espécie extinta.
 
Os cientistas da UFMG analisaram mandíbulas e fragmentos de crânio fossilizados que compartilham características com as três espécies atuais de peixe-boi, ao mesmo tempo que apresentam uma série de características únicas, como um amplo espaço entre a série dentária inferior e a porção posterior da mandíbula, o que pode indicar músculos mastigatórios mais desenvolvidos do que nas espécies atuais.
 
Especialista em mamíferos fósseis, Mario Cozzuol afirma que o animal viveu em Rondônia, na bacia Amazônica, em uma região de corredeiras que atualmente não é mais um ambiente propício para a vida dessa espécie de peixe-boi. Uma série de análises estatísticas confirmaram que a nova espécie é distinta das espécies que existem atualmente, apresentando um mosaico de características que é refletido em sua posição incerta na árvore evolutiva dos peixes-boi. 
 
Outro autor é o professor Fernando Perini, do mesmo departamento. Ele ensina que o Trichechus hesperamazonicus viveu há cerca de 40 mil anos, no final do período Pleistoceno – era geológica situada no período Quaternário da era Cenozóica, entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás. 
 
Perini conta que a nova espécie habitava lagos e rios de águas calmas que atravessavam a floresta, similar a certos ambientes ainda existentes na Amazônia. “Quando o regime de águas do rio mudou, ainda no final do período Pleistoceno, e as águas calmas foram substituídas por águas mais caudalosas, a espécie desapareceu, deixando o peixe-boi Amazônico como o único representante do grupo na Amazônia”, esclarece.  
 
O ilustrador científico Marco Anacleto, do Centro de Coleções Taxonômicas do ICB UFMG, fez uma ilustração que reconstrói a aparência da espécie em vida (Ilustração 1). Fernando Perini fez uma montagem dos fósseis com silhueta reconstruindo o crânio da nova espécie (Ilustração 2). Ambas as imagens seguem em anexo.
 
 
Autores: Fernando A. Perini, Ednair R. Nascimento, Mario A. Cozzuol.
 
Publicação: Journal of Vertebrate Paleontology, 2020: e1697882 DOI: 10.1080/02724634.2019.1697882

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