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Notícia

Pesquisa discute surgimento de Bouba e Adenovírus em aves de criatórios

O primeiro surto de Aviadenovírus registrado no Brasil e no mundo ocorreu em um criatório conservacionista de indivíduos da espécie Mutum-das-Alagoas em Contagem, Minas Gerais Minas Gerais (original name) Minas Gerais . O Professor Nelson Rodrigo do Laboratório de Aves da Escola de Veterinária da UFMG foi um dos pesquisadores presentes no estudo da doença e de um caso de Avipoxvirus em psitacídeos que acometeu de varíola (Bouba aviária) outro grupo de indivíduos estudados pelo laboratório.

O Adenovírus aviário foi responsável pelo desenvolvimento de uma traqueíte hemorrágica grave nos cracídeos, os Mutuns-das-Alagoas; por sua vez, o Avipoxvirus foi responsável pelo surgimento de úlceras nas peles dos psitacídeos, tal qual ocorre com o vírus da varíola humana. 
 
O Surto de Aviadenovírus foi mais letal que o de Bouba, matando os quatro indivíduos infectados por insuficiência respiratória, mas mesmo sendo menos letal, o surto de bouba serviu para alertar sobre a questão da biosseguridade. O Professor Nelson afirma que, a seu ver, existe grandes falhas no que tange a introdução de novas aves em criatórios. Segundo ele não há quarentenas adequadas nesses ambientes, o que facilita a introdução de novas estirpes de vírus.
 
 
 
 
Além da introdução de novos indivíduos num grupo, outra forma de transmissão do adenovírus é a transmissão vertical, que passa de uma geração para outra e que não ocorre nos casos de Bouba aviária. O professor Nelson considera que os casos de endogamia (procriação entre parentes) pode ser uma das causas da disseminação, pois os quase duzentos espécimes do Mutum-de-Alagoas do criatório de Contagem onde ocorreu o surto, são todos descendentes dos três mesmos indivíduos que foram retirados da natureza para que a devastação de seu habitat natural não resultasse em sua extinção.Outra possibilidade considerada foi a carestia de imunização passiva de um indivíduo para sua progênie. 
 
O laboratório de aves da Escola de Veterinária da UFMG também atua no diagnóstico das doenças, aplicando a metodologia clássica de bacteriologia e virologia. O Professor Nelson explica como funciona esses processos: “Aqui, no Laboratório, nós possuímos embriões inoculados com os vírus. Isso porque a virologia necessita de substrato celular, enquanto a bacteriologia ocorre em meios artificiais de cultivo, com formação de colônia.” Por meio dessa metodologia, é possível obter conhecimento preliminar sobre os agentes e seus comportamentos biológicos para que, depois, ocorra a caracterização da doença.
 
Em relação aos impactos que as doenças podem causar, o Professor reforça que ambas não impactam a saúde pública por não serem transmissíveis a humanos, não as caracterizando como zoonoses. Entretanto, por afetarem aves ameaçadas de extinção, os impactos ambientais podem ser graves. Pensando nisso, o Laboratório possui parcerias com vários programas e planos nacionais de conservação de psitacídeos e de cracídeos tendo como objetivo assegurar que as aves estejam saudáveis, especialmente as em reintrodução, para que elas não sejam um risco para a saúde ambiental. 
 
 

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