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Notícia

Humboldt doa equipamento de alta precisão para pesquisas do cérebro na UFMG

O cônsul geral da Alemanha, Dirk Augustin, acompanhado pelo cônsul honorário Victor Sterzik e assessores, estiveram no Laboratório de Neurobioquímica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG para fazer a entrega simbólica de um Vibratome, equipamento que custa mais de 15 mil euros, doado pela Fundação Alexander von Humboldt, de Munique.  Na ocasião eles puderam conhecer alguns dos projetos desenvolvidos no laboratório, com o objetivo de entender os mecanismos celulares e moleculares dos transtornos neurológicos.
 
Observando rigorosamente todas as regras de biossegurança, além da professora Fabíola Ribeiro, coordenadora do laboratório, participaram do encontro a vice-diretora, Élida Rabelo, o pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Mario Campos, o adjunto da Diretoria de Relações Internacionais, Dawisson Lopes, os chefes do departamento, Jáder Cruz, e da pós-graduação em Bioquímica e Imunologia, Leda Vieira. Participaram também estudantes do programa e ex-bolsistas da Humbolt, os professores Fabrício Moreira e Daniele Aguiar.
 
O equipamento
 
O Vibratome é um micrótomo de vibração que permite corte de tecido biológico com alta qualidade e precisão sem necessidade de congelamento ou uso de parafina, por exemplo, e com isso mantém a morfologia e o funcionamento ou atividade celular viabilizando a análise de certas funções do organismo. Este tipo de observação não é possível com a mesma qualidade usando técnicas e equipamentos tradicionais.
 
“No nosso caso, utilizaremos para estudos bioquímicos e medidas eletrofisiológicas de cérebros de camundongos e mini cérebros derivados de células embrionárias de pluripotência induzida”, explica a professora Fabíola Ribeiro.
 
Tudo começou com a seleção da cientista para participar do Programa Bolsas para Pesquisa CAPES/Humbold, dirigido a pesquisadores altamente qualificados de Instituições de Ensino ou Pesquisa do Brasil. Segundo a Capes, o Programa visa promover a “internacionalização de forma mais consistente, o aprimoramento da produção e qualificação científicas e o desenvolvimento de métodos e teorias em conjunto com pesquisadores, de reconhecido mérito científico, alemães ou estrangeiros residentes na Alemanha”.
 
Como o Programa também incluía a possibilidade de um pedido de compra de equipamento, a professora pediu e ganhou o Vibratome. “Ele será de enorme importância para o nosso grupo de pesquisa”, comemora. O trabalho segue em colaboração com os pesquisadores Jan Deussing e Carsten Wotjak, do Instituto de Psiquiatria Max Planck, de Munique, na Alemanha. “Esta conquista do grupo é motivo de orgulho para todo o ICB”, reconheceu a vice-diretora da unidade, professora Élida Rabelo, acompanhada pelas demais autoridades presentes.
 
Pesquisas beneficiadas
 
Dentre os principais projetos do Laboratório de Neurobioquímica está o que investiga o papel do receptor de glutamato (mGluR5) na doença de Huntington. Para isso são usados camundongos transgênicos apropriados para estudos dessa doença (BACHD) e uma linhagem deficiente para o mGluR5. Também são usadas ferramentas farmacológicas, incluindo moduladores alostéricos positivos e negativos deste receptor. Resultados preliminares têm indicado que o receptor mGluR5 desempenha um papel importante na doença de Huntington e que seus moduladores alostéricos positivos são potentes drogas neuroprotetoras in vitro e in vivo.
 
Tendo em vista que a infecção pelo Vírus Zika (ZIKV) foi associada a problemas neurológicos em recém-nascidos, como a microcefalia, eles tentam descobrir como ocorre a neurodegeneração nesses casos. Os cientistas do ICB já descobriram que drogas que bloqueiam o receptor de NMDA, como é o caso da memantina, podem prevenir a morte neuronal causada pelo ZIKV, in vivo e in vitro. Agora eles estudam quais alterações comportamentais a infecção pelo ZIKV pode provocar em filhotes infectados na gravidez.
 
Também tem sido investigado como o mGluR5 influência na neuroinflamação nas doenças de Alzheimer e de Huntington. Nestes projetos são usados linhagem transgênica BACHD, bem como camundongos C57BL/6J tratados com proteína β-amilóide, uma das causadoras de Alzheimer. A partir disso, ferramentas moleculares e celulares são utilizadas para verificar os mecanismos que levam à ativação de células da glia e, junto a isso, à neuroinflamação.
 
Em modelos humanos é usada a tecnologia de células-tronco de pluripotência induzida (hiPSCs) para investigar os mecanismos celulares e moleculares envolvidos na eliminação sináptica na esquizofrenia e os aspectos neuroimunológicos da MS. Linhagens de neurônio e astrócitos derivados das hiPSCs óbito das de doadores saudáveis e pacientes e células microglia-like induzidas de células mononucleares do sangue periférico são utilizadas para averiguar a sinalização existente entre neurônios e células da glia nestes projetos.
 
 
Assessoria de Comunicação Social e Divulgação Científica do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG 

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