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Notícia

Estudo acompanha evolução da transmissão do coronavírus nos estados

Relatórios da situação da pandemia nos estados e no Distrito Federal e metodologia elaborada por entidade britânica para medir o ritmo de infecção pelo novo coronavírus ao longo do tempo são os insumos principais de estudo de professor da UFMG que propõe o acompanhamento da evolução da Covid-19 nas unidades federativas brasileiras.
 
Flavio Vinícius Diniz de Figueiredo, docente e pesquisador do Departamento de Ciência da Computação, apresenta, em sua página na web, estimativas do número básico de reprodução (R0), que indica a quantidade de pessoas que outro indivíduo infectado vai contagiar. “Por exemplo, quando R0 é igual a 2, cada pessoa doente está infectando outras duas, e assim sucessivamente, em progressão exponencial”, explica o pesquisador.  
 
Figueiredo lembra que, para conter uma doença, é preciso que o R0 seja menor que 1. Isso se obtém, sobretudo, segundo ele, com isolamento social. “Um dos critérios para relaxar medidas nesse sentido deve ser a certeza de que número básico de reprodução mantém-se abaixo de 1 por determinado tempo”, ele diz.
 
Gráfico que representa a comparação entre os estados revela que na última segunda-feira, 13 de abril, Rio Grande do Sul, Sergipe, Tocantins, Paraná e Mato Grosso eram os estados que tinham R0 menor que 1. Paraíba, Pernambuco, Acre e Roraima registravam os valores mais elevados (entre 2 e 2,5). Segundo o pesquisador, “os estados do Sudeste têm apresentado padrões parecidos, e, em unidades como Pernambuco e Ceará, é possível observar que as taxas de transmissão baixaram e voltaram a se elevar. Isso mostra que não há qualquer garantia de que o quadro epidêmico não volte a piorar numa determinada região”.
 
Tempo entre casos consecutivos
 
O dados são gerados pelo Brasil.IO, iniciativa de cientistas de dados que traduz informações de relatórios de autoridades estaduais de saúde. Flavio Figueiredo submete esses números a método utilizado pelo Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases (CMMID), sediado no Reino Unido, que se dedica a cálculos e projeções relacionadas a doenças infecciosas. Para fazer uso do método, é necessário estimar uma distribuição de probabilidade que captura o tempo entre casos consecutivos. O intervalo, faixa de incerteza onde se pode esperar que esteja o valor, tem credibilidade de 95%.
 
“Meu objetivo, ao conjugar esforços dessas duas fontes, não é exatamente fazer previsões, mas gerar base para a compreensão do fenômeno da Covid-19 no Brasil e subsidiar outras pesquisas”, afirma o professor do DCC, que pretende aprimorar seus estudos com novas abordagens, lançando mão de elementos como as datas em que os estados tomaram medidas de contenção e o grau de testagem da população para a doença.
 
Flavio Figueiredo enfatiza, a propósito, que o baixíssimo número de testes que têm sido realizados no país, aliado ao alto índice de portadores assintomáticos do novo coronavírus, cria importante limitação para o estudo. “Por isso, não é possível afirmar que resultados dessa análise seguirão válidos”, diz. “De qualquer forma, esse é um problema comum em todos os países, e atualmente há formas de mitigar tais limitações que pretendo incorporar ao modelo em breve”, ressalta o pesquisador, que vai continuar a alimentar seus estudos com dados atualizados e de outras naturezas.
 
Redação: Cedecom

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