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Alimento desenvolvido por equipe do ICA UFMG combate subnutrição em Montes Claros

04.10.2017

Garrafas da bebida láctea feita com soro de queijo, leite, ferro e frutas
Lucas Braga / UFMG
 
“Mãe, o iogurte chegou!”. Parado à porta de sua casa, o menino Gébio anuncia com entusiasmo a chegada dos agentes de saúde e bolsistas do projeto Desenvolvimento de alimentos para o combate à fome e à subnutrição infantil. O iogurte ao qual o garoto se refere é, na verdade, uma bebida láctea resultante do trabalho da equipe do professor Igor Viana Brandi, do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG. O trabalho foi realizado em conjunto com as secretarias de Saúde, de Educação e de Desenvolvimento Social de Montes Claros, Unimontes e Pastoral da Criança, que desenvolve soluções de baixo custo para reverter os quadros de anemia e baixo peso de crianças do Norte de Minas. De acordo com o Observatório da Criança e do Adolescente da Fundação Abrinq, há 1.415 meninos e meninas com esses problemas apenas no município de Montes Claros.
 
Com foco no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças da faixa etária de 2 e 6 anos, o programa reúne nutricionistas, alunos bolsistas, mestrandos, doutorandos e colaboradores do setor de saúde para auxiliar famílias com crianças diagnosticadas com subnutrição, de forma a viabilizar a reabilitação nutricional com a ingestão de um produto saído dos laboratórios da Universidade. “Essa bebida, formulada no ICA, é um alimento balanceado, à base de soro de queijo e leite fermentado, suplementado com ferro e frutas do cerrado”, explica o professor Igor Brandi.
 
O fornecimento da bebida nas casas das famílias é uma das frentes que constituem o projeto. Após o levantamento inicial de dados, que indica as crianças atendidas e suas pesagens nos postos de saúde, os integrantes do projeto se dirigem às casas de seus familiares e apresentam a bebida. Firmado acordo entre as partes sobre a inclusão do alimento na rotina alimentar da criança, dados mais específicos são coletados pelos bolsistas. É por meio dessas informações que o quadro exato de subnutrição é revelado.
 
Durante os meses seguintes, porções de 200 ml da bebida láctea são fornecidas diariamente aos atendidos, ao mesmo tempo que análises antropométricas e coletas de peso são feitas para verificar as modificações em relação ao quadro inicial da criança. “Nas nossas análises, observamos, por exemplo, que os níveis de albumina das crianças, um tipo de proteína, aumentaram significativamente”, confirma o estudante de Engenharia de Alimentos Handray Fernandes, bolsista do projeto.
 
Saborosa
 
Em três sabores – butiá (ou coquinho azedo), mangaba e umbu –, o alimento produzido em Montes Claros conquistou o paladar da criançada. “Minha filha adorava o sabor da bebida, principalmente o de coquinho azedo”, contou Juliana, mãe de Luiza, de seis anos, uma das crianças assistidas pela ação. “Luiza sempre foi muito bem atendida pelos profissionais”, completa.
 
A bolsista e estudante de Engenharia de Alimentos Carolina Rocha conta que a iniciativa mudou sua visão de mundo. Integrante da equipe até o início deste ano, a jovem ressalta que pretende continuar atuando como voluntária. “Fazer parte de uma ação como essa nos faz aprender diversas coisas que não aprenderíamos na universidade. No ambiente universitário, muitas vezes não nos damos conta de questões como o fato de que há crianças do nosso lado que não atingiram seu peso ideal, por exemplo. Entrar em contato com vidas tão diferentes da minha me fez valorizar as pequenas coisas e enxergar o mundo com mais sensibilidade.”
 
Crianças têm altura e peso monitorados pela equipe do projeto
Lucas Braga / UFMG
 
Ampliação
 
O projeto conta com parcerias com a Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria de Saúde. A nutricionista Paula ­Karoline Soares é uma das responsáveis pelo diagnóstico nutricional das crianças e destaca a importância dessa bebida não só para as pessoas, mas para o meio ambiente. “É de extrema importância oferecer um alimento que possibilita a utilização de um subproduto, no caso, o soro do leite, que geralmente é descartado em rios e córregos, para a produção de um alimento de alto valor biológico.” E acrescenta: “Futuramente, gostaria de ofertar minicursos para que as próprias famílias consigam realizar a produção do alimento dentro de casa”.
 
O professor Igor Brandi ressalta que o sucesso do programa é resultado de suas parcerias e que o próximo passo é desenvolver estudos com um número maior de crianças e ampliar o seu alcance. “Acreditamos que o programa, por meio da ação conjunta de professores, alunos e órgãos municipais e estaduais, pode ser uma ótima alternativa para tirar as crianças do estado de subnutrição e anemia. Buscamos, agora, o apoio de organizações internacionais, já que esse problema está presente em outros países. Recentemente, o projeto foi escolhido para compor o Banco de Tecnologias Sociais da FAO/ONU e Banco do Brasil, o que muito nos orgulha e motiva”, conclui o professor.
 
Redação: Cedecom
(Texto de Helvio Caldeira, bolsista de jornalismo da Pró-reitoria de Extensão / Boletim 1993)

 

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